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A LUTA PELA TERRA

A origem da comunidade remonta ao século XVIII, quando teriam se instalado seus primeiros moradores. Durante mais de 200 anos, a convivência entre quilombolas e fazendeiros locais foi pacífica. Porém, a partir da década de 1970 e, de forma mais incisiva, em meados dos anos 1980 a situação começou a se modificar.

Em 1973, a Fazenda Sacutiaba, sobreposta a grande parte do território quilombola, foi vendida para os irmãos Eliezer e Elias Martins de Lima Dantas e ao cunhado deles, Orlando Martins Delgado.

A fazenda compreendia originalmente 5 mil hectares. No entanto, com o passar dos anos, Eliezer e Elias foram expandindo seus domínios por meio de grilagem e atingiram as terras ocupadas pelos quilombolas de Sacutiaba e Riacho de Sacutiaba. No final da década de 1990, afirmavam possuir cerca de 35 mil hectares, ou seja, 30 mil a mais do adquirido originalmente.

Os conflitos iniciaram-se logo após a aquisição da fazenda. A memória oral da comunidade dá conta de que os irmãos Dantas tomaram uma roça que era cultivada pelos comunitários. Em seguida, vieram os cercamentos e as sucessivas ações que reduziram parte do território tradicionalmente ocupado pela comunidade.

Em 1985, o processo de apropriação das terras quilombolas foi retomado. Foram destruídas roças com produtos prontos para a colheita. Roupas e outros pertences dos quilombolas foram queimados e tiros foram disparados contra alguns meninos da comunidade.

Em 1990, o conflito necessitou da interferência da justiça. Os quilombolas entraram com ação de manutenção de posse perante o juízo da Comarca de Wanderley. A ação judicial adveio do fato de Elias Martins ter vedado a cancela de acesso à estrada municipal que dá acesso à sede do município de Wanderley, restringindo, assim, o trânsito dos quilombolas na área. A mudança do traçado de acesso à estrada, ocasionada pela ação dos fazendeiros, trouxe constrangimento à comunidade que se via obrigada a passar em frente à casa-sede de Eliezer e Elias.

A ação judicial, com vistas a assegurar o acesso à estrada, teve seu pedido liminar acatado. Após uma trégua dos fazendeiros locais, a demora em se fazer cumprir a decisão liminar da juíza que já não estava mais na comarca trouxe novos problemas à comunidade.

Em 1995, os quilombolas pediram o apoio do Ministério Público Federal para que não só se reconhecesse a posse como também a sua condição de quilombola.

Somente em 2004, a Superintendência do Incra da Bahia abriu processo administrativo para a titulação das terras de Riacho de Sacutiaba e Sacutiaba. Em 2006, o relatório de identificação do território foi elaborado pelo Incra e publicado no Diário Oficial.



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