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  Comunidades Quilombolas no Brasil • Estado do Maranhão






Segundo o Centro de Cultura Negra do Maranhão, existem 527 comunidades quilombolas no Estado do Maranhão, distribuídas em 134 municípios. Elas concentram-se principalmente nas regiões da Baixada Ocidental, da Baixada Oriental, do Munim, de Itapecuru, do Mearim, de Gurupi e do Baixo Parnaíba.

O Estado do Maranhão é um dos cinco no Brasil cuja constituição reconhece às comunidades quilombolas o direito à propriedade da terra. Essa garantia é fruto da luta do movimento negro, que conseguiu a inclusão do artigo 229 na Constituição Estadual do Maranhão, promulgada em 1989.

Até outubro de 2007, 20 comunidades quilombolas maranhenses haviam conquistado o título de propriedade de suas terras. Os títulos foram outorgados pelo governo do estado por meio do Instituto de Terras do Maranhão (Iterma).

 

TERRAS DE QUILOMBO TITULADAS NO MARANHÃO
(até setembro de 2007)

Comunidades

Hectares

Município

Expedidor

Ano

Eira dos Coqueiros

1.012

Codó

Iterma

1999

Mocorongo

163

Codó

Iterma

1999

Santo Antônio dos Pretos

2.139

Codó

Iterma

1999

Genipapo

589

Caxias

Iterma

2002

Cipó dos Cambaias

2.440

São João do Soter

Iterma

2002

Santa Helena

345

Itapecuru-Mirim

Iterma

2006

Jamary dos Pretos

6.613

Turiaçu

Iterma

2003

Olho D’Água do Raposo

188

Caxias

Iterma

2005

Altamira

1.220

Pinheiro

Iterma

2005

São Sebastião dos Pretos

1.010

Bacabal

Iterma

2005

Usina Velha

1.162

Caxias

Iterma

2006

Agrical II

323

Bacabeira

Iterma

2006

Santo Inácio

1.364

Pedro do Rosário

Iterma

2006

Santana

202

Santa Rita

Iterma

2006

Queluz

256

Anajatuba

Iterma

2006

Rio dos Peixes

542

Pinheiro

Iterma

2006

Imbiral

404

Pedro do Rosário

Iterma

2006

Bom Jesus dos Pretos

217

Cândido Mendes

Iterma

2006

Santa Isabel

838

Cândido Mendes

Iterma

2006

Lago Grande

907

Piritoró

Iterma

2006

20 comunidades

21.935

 

 

 


RESERVA EXTRATIVISTA DO QUILOMBO FRECHAL
– A comunidade Frechal teve suas terras transformadas em reserva extrativista por meio do Decreto Federal N° 536/1992. Essa área não consta na tabela de terras tituladas porque a mesma não é de propriedade dos quilombolas. A reserva extrativista é uma categoria de unidade de conservação. É de domínio público com uso concedido às populações extrativistas tradicionais.

O Maranhão é o segundo estado brasileiro com maior número de terras de quilombo tituladas, atrás apenas do Pará. Essas e outras conquistas são fruto da árdua luta dos quilombolas maranhenses articulados na Associação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas do Maranhão (ACONERUQ). Nessa trajetória os quilombolas contam com o apoio de valiosos parceiros como o Centro de Cultura Negra do Maranhão, a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos e o Ministério Público Federal.

Muitas comunidades quilombolas no Maranhão lutam nesse momento pela garantia de seus territórios. Em setembro de 2007, tramitavam no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) 89 processos para a titulação de terras quilombolas situadas no Maranhão.

O cotidiano da maior parte das comunidades é marcado por disputas e conflitos envolvendo seus territórios. Especialmente preocupante é a situação enfrentada pelos quilombolas de Alcântara que, nos anos 1986 e 1987, foram vítimas de deslocamentos compulsórios promovidos pelo Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Segundo o Centro pelo Direito à Moradia contra Despejos, a expansão do CLA pode resultar no deslocamento forçado de mais 1.500 quilombolas em Alcântara.

Não falta, porém, disposição aos moradores das comunidades para lutar por seus direitos, tampouco alegria de viver. Um símbolo da resistência cultural é o Tambor de Crioula, uma manifestação de várias das comunidades maranhenses e que envolve muita música e dança.

Escravidão e formação de quilombos no Maranhão
Lutas, vitórias e desafios
Saiba mais sobre as comunidades
Leia os depoimentos de mulheres quilombolas do Maranhão
Fontes consultadas

Consulte também:

Processos de titulação das Terras Quilombolas no Maranhão