COLÔNIA DO PAIOL

Colônia do Paiol é considerada a maior comunidade negra pertencente ao município de Bias Fortes, com uma população de aproximadamente 600 pessoas (Silva, 2005). Localizada em região próxima à cidade de Juiz de Fora, a comunidade apresenta fortes vínculos com esses dois centros urbanos.
A história de origem do grupo está ligada à doação de terras que o fazendeiro José Ribeiro Nunes fez no ano de 1891 a nove de seus ex-escravos: Tobias, Gabriel, Adão, Justino, Quirino, Maria Creola, Camila Parda, Sebastião e Justiniano (Silva, 2005: 229). A comunidade de Colônia do Paiol é formada pelos descendentes desses nove escravos.
O documento de doação, recentemente localizado pelo antropólogo Djalma Antônio da Silva no Fórum de Barbacena, informa que os negros já ocupavam um terreno denominado Paiol, quando foram agraciados pela doação do fazendeiro.
O processo de regularização das terras de Colônia do Paiol foi aberto em maio de 2004. No entanto, até maio de 2007, o processo não sofreu nenhuma movimentação, permanecendo apenas como um número de registro de demanda por regularização.
• Acompanhe o processo de titulação dessa terra
Um pouco da história
A história de Colônia do Paiol retrata uma trajetória de sofrimento e maus-tratos vividos pelos negros mesmo após a Abolição da Escravatura. Os moradores de Colônia do Paiol sofreram com as disputas sobre seu território. O documento de doação que poderia ajudá-los nessa luta foi apenas recentemente localizado.
A falta do documento para comprovar legalmente a doação das terras por eles ocupadas ocasionou demasiada insegurança no grupo, que ao longo do século XX vivenciou a migração de muitas de suas famílias para as áreas urbanas de Bias Fortes e Juiz de Fora.
A saída para outras localidades, no entanto, não teve início aí. Segundo os mais velhos, sempre foi necessário ao grupo sair em busca de recursos para garantir sua sobrevivência. As terras que herdaram nunca foram suficientes para o sustento de todos.
Várias famílias da comunidade encontram-se instaladas nas cidades de Bias Fortes e Juiz de Fora. Acreditando que apenas o acesso à educação formal poderia lhes ajudar a sair da condição de exclusão social, muitos criaram residência e novas famílias ali. No entanto, sua presença na comunidade rural se faz freqüente.
O vaivém das pessoas entre as cidades e a área rural não implica necessariamente desvinculação. Os laços sociais são transformados e reforçados nesse movimento de ir e vir dos membros dessa comunidade, que estão na área rural e também na área urbana. Se os moradores de Colônia são os guardiões da tradição negra, os moradores dos centros urbanos são os promotores de melhores condições econômicas para todos (Silva, 2005).
Para os quilombolas da região, o acesso à educação formal é considerado o principal caminho para sair da condição de excluídos. A construção de uma escola na Colônia aconteceu há muitos anos e com muito empenho. Nas cidades, as famílias que para lá migraram lutam para conquistar melhores condições econômicas através dos estudos.
Em Juiz de Fora ou em Bias Fortes não existe uma região referência que congregue os quilombolas de Colônia do Paiol. Eles residem em lugares espalhados. No entanto, a memória compartilhada e o vínculo com o território ancestral unem as famílias em uma identidade étnica específica.
A dança e a cantoria ritual do jongo são heranças deixadas por seus antepassados e que congrega as famílias de Colônia do Paiol. Embaladas pelo som dos tambores, as famílias dançam o jongo, que se caracteriza como dança de roda, em que os participantes fazem movimentos anti-horários. A coreografia é específica e possui o poder de juntar e alegrar os membros dessa comunidade, sejam eles moradores da área rural ou da área urbana.
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A regularização fundiária de seu território e o acesso à educação formal são os dois principais objetivos dos descendentes dos nove ex-escravos de José Nunes Ribeiro. Através da formação acadêmica, eles lutam pela inserção social tão difícil ao negro no país; e através da luta pela garantia de seu território, eles anseiam conquistar o direito de manterem-se unidos no espaço que lhe proporcionou identidade.
A História da Presença Negra em Minas Gerais
Quilombos Urbanos
Quilombos Rurais
N'Golo - Federação das Comunidades Quilombolas de Minas Gerais
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Fontes Consultadas
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