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ARAPEMÃ

A menos de uma hora de barco da cidade de Santarém, está situada uma grande ilha no Rio Amazonas, na qual se encontra a comunidade quilombola Arapemã.
A maior parte das terras da comunidade está situada em área de várzea. Anualmente, entre os meses de abril e julho, uma boa parte do seu território fica alagada. Em função deste fenômeno natural, os quilombolas contam com pouca terra para a agricultura.
Também atinge a comunidade o chamado fenômeno das "terras caídas", que consiste na erosão de parte das terras da ilha. Cada vez que isso acontece, uma parte das terras do Arapemã fica aterrada debaixo d'água, diminuindo a área total da comunidade. Assim relata Maria de Fátima, moradora de Arapemã:
"Nos outros anos que nós moramos aqui a nossa vida era melhor, tinha mais terra para a gente viver. Tinha a praia em frente, tinha mais terra para trabalhar e com o trabalho da gente dava para viver melhor. Agora que caiu muito, a terra ficou pequena, até quase a gente não tem terra para trabalhar".
D. Alba comenta as conseqüências desta situação:
"E, com a erosão, também, muita gente se mudou daqui da comunidade. Essa comunidade era uma comunidade com muita gente".
As 76 famílias de Arapemã sobrevivem principalmente da pesca que realizam, sobretudo nos lagos localizados no interior da ilha. Ao longo de todo o ano, o peixe serve tanto para a dieta dos comunitários quanto para a venda em Santarém.
No entanto, essa atividade vem se tornando cada vez mais difícil, devido à presença de pescadores de fora da comunidade, que adotam práticas predatórias, como os "arrastões", dificultando a pescaria dos comunitários.
Assim nos conta Maria de Fátima:
Na época do inverno a gente só vive da pescaria do peixe. Pega aquele peixinho, faz um viveiro e vai pegando aquele peixinho. Meu marido é assim, ele pesca de manhã, chega meio-dia ele tira aquele peixe para o almoço, ele almoça e descansa. Quando é três horas, ele vai de novo pescar para trazer de novo peixe para botar no viveiro. Aí a gente vai passando, até chegar o verão. E como é época do verão agora, nós vamos trabalhar. Tem um pedacinho lá onde a gente mora, 67 centímetros de terra que a gente tem, aí vamos fazer umas plantinhas.
A roça é cultivada no verão (entre os meses de agosto e dezembro) quando a água do rio abaixa. No roçados, os moradores de Arapemã plantam mandioca, feijão, melancia, jerimum, maxixe, quiabo, milho, banana e macaxeira. Já nos terreiros da casas há a plantação de bananeiras, goiabeiras, limoeiros, mangueiras, coqueiros e outras árvores frutíferas, além de algumas plantas medicinais. Para complementar a sua dieta alimentar, os moradores criam galinhas, porcos e alguns poucos bois.
As dificuldades para viver da agricultura são grandes. Devido à ocupação das terras do Arapemã pelos fazendeiros, somada à já pouca disponibilidade de terras devido à erosão, há pouca terra disponível para o plantio da roça, conforme relata a comunitária D. Alba:
"Não temos mais produção porque não temos onde plantar. Não temos terra suficiente para estar fazendo plantio maior. Tem muitas pessoas que vivem sem plantar, no verão, porque não têm onde plantar. Tem bastante terra aí, mas não é da comunidade, é de gente de fora. A maioria da terra está nas mãos dos grandes fazendeiros".
A comunidade ainda não teve suas terras tituladas e sofre com os conflitos com os fazendeiros e com os que promovem a extração ilegal de barro de suas terras.
Para conseguir a titulação de seu território, a comunidade fundou no dia 14 de junho de 2003 a Associação Comunitária de Remanescentes de Quilombo de Arapemã (ACREQARA).
A ACREQARA já obteve algumas vitórias, entre as quais se destaca a decisão judicial de abril de 2005, que determinou o fim da extração do barro.
O processo de titulação da terra de Arapemã está em andamento no INCRA desde 2003. Alguns levantamentos iniciais foram realizados, mas ainda não há previsão de data para a titulação.
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