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ATIVIDADES PRODUTIVAS

As principais atividades econômicas dos quilombolas de Bom Jardim são a pesca e o extrativismo do açaí e da andiroba. O peixe e o açaí são consumidos pela comunidade e também vendidos em Santarém.

A pesca acontece ao longo de todo o ano, e o peixe é o principal alimento da comunidade. Mas segundo os quilombolas, a atividade pesqueira foi bastante prejudicada pela presença de pescadores estranhos à comunidade, que praticam a atividade em larga escala e de forma prejudicial ao meio ambiente.   É o que afirma Dileudo Guimarães dos Santos:

"Eles são pescadores profissionais, enquanto nós somos pescadores artesanais, tem essa diferença. E o pescador artesanal sempre pesca mais para o consumo, até porque a gente não se prepara bem, não usa geleiras e outras coisas. Então esse pessoal profissional, que vem de outro canto, são pescadores que vêm realmente preparados, com geleiras, muitas malhadeiras e só voltam mesmo quando eles enchem as geleiras. Eles colocam arrastão e deixam peixes mortos pelas praias, eles não se importam com isso. Então é mais prejudicial. O pescador da comunidade não faz arrastão".

Para solucionar esse problema, os moradores de Bom Jardim contaram com o apoio da Colônia de Pescadores de Santarém (Z-20) e do Projeto Manejo dos Recursos Naturais da Várzea (PróVárzea/IBAMA). Os resultados desta mobilização foram a criação do Conselho de Pesca da Região do Maicá, em 2004, a aprovação de regras para a pescaria na região e ainda o treinamento e o credenciamento de agentes ambientais voluntários.

O extrativismo também é uma importante atividade em Bom Jardim. Além do açaí e da andiroba, são também coletados o buruti, tucumã, taperebá, cupu, jenipapo e um pouco de castanha. São ainda coletados o arumã, que é utilizado na confecção de artesanato, bem como a madeira e a palha de anajá, usados na construção de suas casas.

No entanto, os desmatamentos realizados por fazendeiros nas terras da comunidade prejudicaram bastante a atividade. Atualmente, o que mais se coleta são o açaí e a andiroba, que ocorrem nas áreas de várzea que foram menos afetadas pelos desmatamentos.

Algumas famílias sobrevivem também da roça, onde plantam mandioca, feijão, milho, banana, arroz, mamão, jerimum, tomate, melancia. Também cultivam nos terreiros das casas árvores frutíferas: goiabeira, coqueiro, cajueiro, mangueira, muricizeiro, laranjeira, bananal, cebola. Essas famílias vendem em Santarém um pouco do que é produzido e também para as outras famílias da comunidade.

Além disso, há quilombolas que trabalham na cidade de Santarém e em outros lugares fora da comunidade. Joilson Vasconcelos dos Santos, morador da comunidade, ao falar da situação dos jovens de Bom Jardim, comenta essa questão:

"Não tem trabalho para todo mundo na comunidade. Tem muita gente que sai, vai para Santarém, vai para as comunidades aí do interior, de dentro. Têm alguns que ficam aqui na Pematec. Têm alguns que vão para fora mesmo, passam meses trabalhando e depois retornam de novo. A maioria sai".




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