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O PROJETO DE EDUCAÇÃO MOCAMBO EM ÓBIDOS
No município de Óbidos encontram-se 13 comunidades quilombolas: São José, Mata, Nossa Senhora das Graças, Arapucu, Patauá do Umirizal, Muratubinha, Cuecê, Silêncio, Mondongo, Igarapé dos Lopes, Castanhanduba, Apuí e Mocambo.
Essas comunidades estão organizadas na Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Município de Óbidos (ARQMOB), criada em 1997 com o objetivo de lutar pelas titulações das comunidades quilombolas deste município.
Mais recente, no ano de 2004, as mulheres quilombolas de Óbidos criaram a Kabinda - Comissão de Mulheres Quilombolas do Município de Óbidos com o objetivo de conscientizar a mulher negra.
Graças à ação da ARQMOB, seis comunidades quilombolas (445 famílias) já tiveram as suas terras regularizadas: São José, Silêncio, Matar, Cuecê, Apuí e Castanhanduba. Elas ocupam o território conhecido como Cabeceiras, titulado pela Fundação Cultural Palmares no ano 2000 com 17.189,69 hectares.
Em 2004, mais duas comunidades, Nossa Senhora das Graças e Patauá do Umirizal, encaminharam o pedido de titulação de suas terras para o INCRA. No entanto, até julho de 2005, o INCRA não havia tomado qualquer providência com relação a estes processos.
Além de lutar pela garantia das terras, a ARQMOB se preocupa também com a educação dos jovens quilombolas. Assim, contribui com o desenvolvimento do projeto de educação conhecido como Mocambo Pauxi.
Idealizado por Idaliana Marinho de Azevedo, integrante da Associação Cultural Obidense e antiga apoiadora das comunidades quilombolas de Óbidos, o projeto oferece cursos de capacitação profissional para os jovens quilombolas da região.
"Os alunos vão para Mocambo, passam uma semana desenvolvendo uma parte teórica e depois voltam para suas comunidades para desenvolver a parte prática", conta Nonato, morador da Comunidade Cuecê e membro da direção da ARQMOB.
Entre os cursos já oferecidos estão: fruticultura e horticultura, remédios caseiros, mecânica, carpintaria, pedreiro, eletricista, artesanato, associativismo e cooperativismo e administração e autogestão.
O Projeto Mocambo teve início no final da década de 90. Para a sua realização conta com a contribuição financeira de "padrinhos", isto é, colaboradores voluntários de diversas partes do Brasil. A iniciativa conta também com a parceria de diversos órgãos governamentais, tais como: Programa Raízes, Poemar, Fundação Curro Velho, Pastoral da Saúde e Emater.
Conheça mais:
Kabinda , grupo de mulheres negras de Óbidos.
Veja também:
A história dos quilombos do Baixo Amazonas
A festa do Marambiré na comunidade Pacoval
A castanha do quilombo em Oriximiná
O projeto de educação Mocambo em Óbidos
A luta pela terra em Santarém
Fontes consultadas e entrevistas realizadas
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