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A LUTA PELA TERRA EM SANTARÉM
No município de Santarém são conhecidas atualmente nove comunidades quilombolas, distribuídas às margens do Rio Amazonas, em ilhas, regiões de várzea e regiões de terra firme: Saracura, Arapemã, Bom Jardim, Murumurutuba, Murumuru, Tiningu, Nova Vista, São Raimundo e São José - comunidades que se entrelaçam por redes de parentesco e de compadrio e compartilham uma história comum.
No século XIX, nas cercanias de Santarém, foram constituídos pequenos quilombos que serviam de apoio tanto para a fuga como para a resistência daqueles situados nos altos dos rios, acima das cachoeiras dos Rios Curuá, Trombetas e Erepecuru. Muitos operavam como ponto de apoio para os moradores de quilombos mais distantes, que vinham vender seus produtos nas casas de comércio em Santarém.
Naquela época, os quilombolas de Santarém sobreviviam da agricultura, coleta de castanha, extração do látex da balata e de outros produtos vegetais. Vendiam, em Santarém, principalmente farinha e fumo.
Atualmente, os quilombolas garantem o seu sustento por meio da pesca, da agricultura e do extrativismo. No entanto, os conflitos envolvendo a disputa por suas terras vêm impedindo o bom desempenho de algumas dessas atividades.
A ocupação do município de Santarém foi marcada na década de 70 pela construção das rodovias Transamazônica e BR-163 (Cuiabá-Santarém), que trouxeram para a região os colonos, os fazendeiros e os garimpeiros.
Atualmente, a expansão da soja e o asfaltamento da BR-163 ameaçam os quilombolas. As comunidades quilombolas do planalto (Bom Jardim, Murumurutuba, Murumuru, Tiningu, Nova Vista, São Raimundo e São José) vêm sendo bastante afetadas com a recente expansão da monocultura de soja. Desde 2003, os fazendeiros vêm plantando soja em larga escala para a comercialização. As plantações são feitas em áreas grandes e planas, em cima da serra, causando sérios problemas às comunidades: a erosão das terras desmatadas e a poluição advinda da utilização de agrotóxicos.
Quanto às comunidades situadas em ilhas, os problemas são diversos. Os fazendeiros ocuparam tanta terra nessas comunidades que os quilombolas quase não têm onde plantar e realizar suas outras atividades. A comunidade do Arapemã vive uma situação ainda pior em função do barro que é extraído ilegalmente de suas terras.
Para lutar contra todas essas situações de conflito, os quilombolas de Santarém se organizaram e fundaram associações nas suas comunidades.
Sabendo da importância da união e da articulação, os quilombolas de Santarém fundaram também uma comissão municipal que congrega as nove comunidades. A Comissão de Articulação dos Quilombolas de Santarém, criada em 2003, conta com o apoio do Serviço Afro-Amazônida de Solidariedade (SARA).
Saiba mais:
• Arapemã
• Saracura
• Bom Jardim
Veja também:
A história dos quilombos do Baixo Amazonas
A festa do Marambiré na comunidade Pacoval
A castanha do quilombo em Oriximiná
O projeto de educação Mocambo em Óbidos
A luta pela terra em Santarém
Fontes consultadas e entrevistas realizadas
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