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SERROTE DO GADO BRABO


O quilombo Serrote do Gado Brabo está localizado na zona rural de São Bento do Una, município situado no agreste central pernambucano. Segundo seus os moradores, o nome da comunidade deriva da localização de onde vivem: um serrote, uma pequena serra de 350 metros de altitude. Já a designação “gado brabo” é herdada da antiga fazenda de mesmo nome que foi parcialmente ocupada pelos fundadores do quilombo. Os quilombolas explicam que tal fazenda foi assim batizada porque, no passado, o gado era criado solto no mato, e muitas vezes era necessário amansá-lo.

A área que a comunidade de Serrote ocupa atualmente de apenas 15 hectares é insuficiente para garantir condições de vida adequadas para as suas 60 famílias. Parte do seu território original foi tomada por posseiros. A porção do território onde hoje em dia se localiza a comunidade não possui fonte de água, todos os açudes do entorno encontram-se em propriedades vizinhas. Quando até o lajedo, que armazena água da chuva, fica seco, os moradores recorrem à Prefeitura ou ao Exército, que encaminham um caminhão-pipa ao quilombo.

Assim como Serrote, as comunidades quilombolas vizinhas Jirau, Primavera, Caldeirãozinho e Caraíba também se formaram a partir da ocupação de área da fazenda Gado Brabo. Os moradores dessas comunidades compartilham de relações de parentesco e de um modo de vida similar. Ao todo, 500 famílias vivem nessas cinco comunidades.

A Comunidade Serrote do Gado Brabo luta pela titulação de seu território. Em 2004, o Incra deu início ao procedimento de titulação das suas terras. Atualmente encontra-se em andamento o relatório de identificação e delimitação que deverá indicar os limites da área a ser titulada.

Atividades econômicas
A palma, planta que resiste ao clima seco e é alimento do gado, é bastante cultivada pelos membros da comunidade. Quando o tempo anuncia a possibilidade de chuva em fevereiro e março, os meses de plantio, cultiva-se também a fava, o milho e o feijão. Muitos quilombolas criam ainda bois, porcos e galinhas.

No entanto, são muitas as dificuldades enfrentadas pelos quilombolas para cultivar a terra. As poucas áreas disponíveis para o plantio são insuficientes para todos e já estão desgastadas pela falta de adubo e de água. A constante escassez de chuva também contribui para a perda das safras.

Os quilombolas reclamam ainda da impossibilidade de utilizarem a água dos açudes localizados nas fazendas vizinhas. Além disso, os proprietários destas áreas estão cada vez mais resistentes à possibilidade de parceria para o cultivo de mandioca, como foi costume durante muito tempo.

Em função desse quadro, a maior parte das famílias de Serrote tem enfrentado situações de penúria e, por isso, busca fontes de renda nas propriedades vizinhas ao quilombo. As mulheres e homens da comunidade trabalham como diaristas ou plantam “de meia” nas terras que, um dia, foram de seus antepassados.

Veja o vídeo


Saiba mais:

Acompanhe o processo de titulação em curso no Incra
Conheça o passo a passo do caminho da titulação


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Fontes de consulta