OS QUILOMBOS RURAIS: DO LITORAL AO INTERIOR DO ESTADO
As comunidades quilombolas rurais estão presentes em todo o Rio Grande do Sul. No entanto, em algumas regiões elas aparecem em maior concentração. É o caso do litoral e de toda a região localizada entre as lagoas e o oceano Atlântico que abarca municípios como os de São José do Norte, Tavares, Mostardas, Palmares do Sul, Capivari do Sul, Maquiné e Terra de Areia. Nessa região, estão as comunidades de Casca, Limoeiro, Beco dos Coloidianos, Teixeiras, Olho D’Água, Capororocas, dentre outras. Próximo ao litoral norte do estado, há ainda outras comunidades em municípios vizinhos a Porto Alegre. É o caso da comunidade de Manoel Barbosa no município de Gravataí, e da comunidade de Cantão das Lombas no município de Viamão.
Outra região com grande concentração de quilombos é o centro do estado, nos municípios de Jacuizinho, São Sepé e arredores. Lá estão, entre outras, as comunidades de Passo dos Brum, Cerro do Formigueiro, Rincão Santo Inácio, São Miguel, Rincão dos Martimianos, Linha FAO/Sítio Novo, Rincão dos Caixões e Júlio Borges.
Por último, merece destaque a região Oeste da Laguna dos Patos, na Serra do Sudeste e municípios vizinhos. A área abriga as comunidades de Alto do Caixão, Manoel do Rego, Maçambique/Cerro do Quilombo, Serrinha, Rincão do Quilombo e muitas outras.
Não é mera coincidência que as regiões com grande concentração de comunidades quilombolas sejam, justamente, as que contavam com maior número de população escrava no passado. A faixa litorânea do estado e a região do atual município de Porto Alegre e arredores foram as primeiras áreas ocupadas pelos portugueses, que levaram muitos escravos para o local. O arroio Pelotas, a oeste da laguna dos Patos, foi um importante centro de produção de charque, a atividade econômica que mais empregou mão-de-obra escrava no Sul do país.
De acordo com estudo realizado por Rosane Rubert, as principais dificuldades enfrentadas pelas comunidades quilombolas rurais do Rio Grande do Sul são de ordem socioeconômica, como a dimensão reduzida das terras ocupadas e a falta de alternativas para a geração de renda. Os dados apresentados pela autora mostram que 45 de 58 comunidades visitadas no ano de 2005 ocupavam uma área total inferior a 200 hectares. São dimensões que não possibilitam uma sobrevivência digna, ainda mais se considerarmos que a maioria dessas áreas situa-se em terras impróprias para a agricultura, em função do seu relevo íngreme e solo pedregoso. Boa parte desses quilombos foi expropriada de suas terras por fazendeiros, o que os levou a ocupar áreas cada vez menores (RUBERT, 2005).
A regularização dos seus territórios é, sem dúvida, uma etapa importante para reverter esse quadro de dificuldades. Até hoje nenhuma comunidade quilombola do Rio Grande do Sul conseguiu a titularidade de seus territórios. Poucas também são aquelas cujo processo já foi aberto no Incra. Em janeiro de 2008, do universo de mais de 130 comunidades, apenas 33 eram alvo de processos para identificação e titulação de suas terras.
Conheça alguns dos quilombos rurais do Rio Grande do Sul:
• Quilombo Casca e o direito à herança
• A festa do maçambique em Morro Alto
• A luta pela terra em São Miguel
• A luta por terra e trabalho em Rincão dos Martimianos
• Quilombo de Anastácia enfrenta a Barragem
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Fontes consultadas
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