QUILOMBO CASCA E O DIREITO À HERANÇA
“Casca foi a primeira comunidade a ser reconhecida como quilombo. A partir daí a gente vem brigando. É uma luta. O governo do presidente Fernando Henrique começou, depois no governo do presidente Lula e, naquela época, o governador do estado do Rio Grande do Sul Olívio Dutra, quando perdemos a oportunidade de termos titulado porque não tinha dinheiro... Aí depois nós ficamos esperando, né? A gente vai à Brasília, vai em tudo quanto é lugar. O que nós estamos esperando agora? Que o Incra termine de fazer o que tem que ser feito. É o que a gente espera” (Depoimento de Dona Ilza, líder da comunidade de Casca, novembro de 2007).
A comunidade quilombola de Casca está localizada no município de Mostardas, na região litorânea do Rio Grande do Sul, entre o oceano e a Lagoa dos Patos. De acordo com o Incra, em 2006, viviam no quilombo cerca de 85 famílias. Há, porém, um número significativo de integrantes do quilombo de Casca que deixaram o local de origem, passando a viver em municípios vizinhos ou em Porto Alegre. Dona Ilza, líder do quilombo de Casca nos explica as razões para a saída desses moradores:
“Antigamente, muitos sobreviviam da agricultura, outros, na época, do arroz, iam para as granjas, na época de roça iam pras fazendas roçar, tinha plantação de cebola também praquela época, sabe? (...) Hoje em dia, a grande maioria das pessoas trabalha em fazendas, de granja ainda. Granjas vizinhas, fazendas vizinhas... Muitos tiveram que ir embora para Porto Alegre, pra outros lugares, porque não tem emprego. O grande problema é a falta de emprego.”
Os quilombolas de Casca lutam para recuperar as terras que lhes foram expropriadas e pela titulação coletiva. Com a titulação, esperam alcançar melhores condições de vida, sem a necessidade de suas famílias abandonarem o território em busca de emprego em outras cidades.
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