A LUTA PELA TERRA DO QUILOMBO DE SÃO MIGUEL
O quilombo de São Miguel está localizado no município de Restinga Seca, região central do Rio Grande do Sul. O município de Restinga Seca situa-se em uma planície entre a periferia do escudo rio-grandense-do-sul e a Serra Gaúcha, uma região que concentra grande quantidade de comunidades quilombolas no estado.
De acordo com dados do Incra, 153 famílias viviam na comunidade em 2006. A principal atividade econômica da comunidade é o trabalho nas fazendas vizinhas, em lavouras de soja, arroz e fumo. Em geral, em cada família de quatro a cinco pessoas, uma trabalha nessas lavouras.
A maior parte das famílias de São Miguel sobrevive de maneira precária, já que os salários pagos pelos fazendeiros são muito baixos. Em 2004, a renda anual de um trabalhador era de cerca de 2.500 reais (ANJOS, 2004: 123). Em alguns casos, a renda familiar é complementada pela aposentadoria dos mais idosos.
Contribui também para a subsistência da comunidade a horticultura, na qual trabalham as mulheres, as crianças, e os homens nos finais de semana. “É a horta que garante à família um estoque de bens alimentares que reduz significativamente a necessidade de recorrer ao mercado local” (ANJOS, 2004: 125).
A dimensão diminuta do território de São Miguel, apenas 45 hectares, impossibilita outras atividades econômicas como a caça, a pesca e a coleta. Tal dificuldade é acentuada à medida que as fazendas vizinhas têm devastado toda a mata existente nos arredores do quilombo.
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