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  Comunidades Quilombolas no Brasil • Estado de São Paulo • Litoral norte



No litoral norte do Estado de São Paulo, são conhecidas duas comunidades remanescentes de quilombo: Caçandoca e Camburi.
Há notícias também da existência de outras duas comunidades quilombolas na região: Cazanga e Poruba.

A região de Ubatuba, até as primeiras décadas do século XIX, contava com pequenas propriedades agrícolas de subsistência, havendo poucos escravos por propriedade, devido ao pequeno poderio financeiro de seus proprietários.

A paisagem fundiária começou a mudar a partir da vinda de colonos estrangeiros para a região, no início do século XIX. Dotados de recursos financeiros, investiram na compra de grandes lotes de terra, visando ao cultivo de produtos agrícolas para exportação, especialmente o café. Trouxeram, para trabalhar nessas terras, um enorme contingente de população de origem africana. Assim, o volume de escravos na região de Ubatuba cresceu enormemente.

Outro fator importante para tal crescimento foi a transformação do porto de Ubatuba num dos principais pontos de recebimento de escravos para as fazendas do Vale do Paraíba e de Minas Gerais. Constituiu-se também em posto de passagem de escravos para outras regiões dentro e fora de São Paulo.

Com o declínio da produção cafeeira, a partir da segunda metade do século XIX, muitas fazendas foram abandonadas, loteadas e vendidas. Porções de terra das fazendas foram ocupadas, ou até mesmo doadas a ex-escravos. Estes passaram a viver com uma relativa autonomia, a partir da produção de pequenas roças e da pesca artesanal.

O litoral norte permaneceu como uma região quase isolada até a construção da rodovia BR 101 (Rio-Santos), na década de 1970. A partir daí, a situação fundiária de Ubatuba alterou-se mais uma vez, então com a entrada de grileiros e especuladores imobiliários movidos pela facilidade de acesso à região que a rodovia propiciou.

Muitas das comunidades quilombolas e caiçaras, que até então viviam com relativa autonomia, foram expulsas de suas posses ou se viram obrigadas a vendê-las, para dar lugar a grandes propriedades, condomínios luxuosos e casas de veraneio.

Ainda na década de 1970, foram criadas duas unidades de conservação ambiental na região: o Parque Nacional da Serra da Bocaina, em 1972, e o Parque Estadual da Serra do Mar/Núcleo Picinguaba, em 1979. Tais parques abarcaram a área de ocupação da comunidade quilombola do Camburi que passou a sofrer restrições a seu modo de vida tradicional.

A luta das comunidades quilombolas do litoral norte pela reconquista de suas terras esbarra numa situação fundiária bastante complexa, envolvendo disputas com grandes empresas imobiliárias.

Conheça mais sobre as comunidades do litoral norte:

Caçandoca
Camburi
Fontes Consultadas