|
VALE
DO RIBEIRA
Ao longo do Vale do Rio Ribeira do Iguape, no sul do Estado de
São Paulo, encontra-se um importante conjunto de comunidades
quilombolas. Nesta região, que abriga a maior vegetação
remanescente da Mata Atlântica do Brasil, vivem, além
dos quilombolas, povos indígenas, caiçaras e pequenos
produtores rurais.
Ao menos 30 comunidades descendentes de quilombos estão no
Vale do Ribeira, distribuídas principalmente nos municípios
de Iporanga, Eldorado, Barra do Turvo, Cananéia, Iguape,
Itaoca e Jacupiranga.
A ocupação negra do vale foi feita por ex-escravos
fugidos ou libertos, principalmente ao longo do século XVIII.
Os escravos fugitivos chegavam à região, se casavam
com mulheres locais e se fixavam em terras próximas, tornando-se
pequenos agricultores. Tinham muitos filhos, que também se
casavam e se espalhavam pelas terras da região.
Sabe-se que os atuais habitantes das diversas comunidades do Vale
do Ribeira têm uma descendência familiar comum. Os moradores
contam, por exemplo, que um ex-escravo fugido chamado Bernardo Furquim
teria chegado à comunidade de São Pedro, se casado
com duas mulheres e tido ao menos 24 filhos, que se espalharam pela
região. Até hoje, há descendentes dessa família
em diversas comunidades do Vale. Pode-se dizer que aconteceu o mesmo
com algumas outras famílias originárias da ocupação
da região.
"Em todas as comunidades, todo mundo tem um pouquinho de parentes",
conta Ivonete Alves da Silva, moradora da comunidade quilombola
de Ivaporunduva.
Hoje, as comunidades vivem em situação semelhante:
suas atividades econômicas são basicamente as mesmas,
enfrentam os mesmos problemas e participam das mesmas lutas. Além
disso, convivem nas horas de lazer e confraternização,
participando de atividades comuns, tais como o campeonato de futebol
entre comunidades quilombolas, por exemplo.
Os quilombolas do Vale do Ribeira foram os primeiros no Estado de
São Paulo a se organizar para reivindicar seus direitos territoriais.
Já no início da década de 1990, contando com
o apoio da Diocese de Registro, da Comissão Pró-Índio
de São Paulo e do Fórum Estadual de Entidades Negras
de São Paulo, entre outras organizações, começaram
a pleitear a titularidade de suas terras.
Como resultado da mobilização dos quilombolas, em
março de 1996 o Governo do Estado de São Paulo criou
um Grupo de Trabalho, formado por representantes governamentais
e não-governamentais, que tinha por objetivo fazer proposições
visando à aplicação dos direitos constitucionais
dos quilombolas.
As conclusões do Grupo de Trabalho levaram à criação
de um programa de cooperação técnica e de ação
conjunta para identificação, discriminação
e legitimação de terras devolutas do Estado ocupadas
por remanescentes de quilombo e de um Grupo Gestor para implementá-lo
(Decreto
nº 41.774, de 13 de maio de 1997).
Em 2001 ocorreu a primeira titulação de uma terra
quilombola no Vale do Ribeira. Foi também a primeira titulação
do Estado de São Paulo. Nesta mesma data, o governo do Estado
entregou os títulos de propriedade para as comunidades de
Maria Rosa, Pilões e São Pedro.
Posteriormente, em 2003, foram tituladas as terras das comunidades
de Ivaporunduva e Pedro Cubas.
História
Organização
Econômica
A Luta pela Titulação
dos Territórios
Conflitos com
as Unidades de Conservação
A Luta Contra as
Barragens
As Comunidades
Fontes Consultadas
|