HISTÓRICO DA COMUNIDADE
Contam os moradores do Jaó que a comunidade teria se iniciado
quando do recebimento de um pedaço de terra, denominado Sítio
da Ponte Alta, deixado como herança a um casal de ex-escravos,
Joaquim Carneiro de Camargo e Josepha Paula Lima.
As terras foram doadas por um antigo fazendeiro da região,
Honorato Carneiro de Camargo, que adotou Joaquim Carneiro de Camargo
como filho.
Uma das atuais lideranças da comunidade e neto de Joaquim,
Hilário Martins, relata esta história:
"Este Honorato Carneiro de
Camargo era um fazendeiro que estava aqui no nosso lado: a Fazenda
São Marco era a antiga Fazenda Lagoinha. O Honorato era fazendeiro
velho ali no lugar, solteiro, com 70 e poucos anos."
Honorato conheceu quatro escravos, dentre eles Joaquim Carneiro
de Camargo, que trabalhavam na antiga Fazenda Pilão d'Água,
vizinha de sua propriedade. Dizem os moradores da comunidade que
este fazendeiro afeiçoou-se a eles.
Após a abolição da escravatura, em 1888, Honorato
encontrou os quatro escravos abandonados à própria
sorte. Hilário Martins conta que foi quando Honorato:
"chegou lá, achou
quatro negros no pé da árvore e então (...)
perguntou para eles: 'pois é, e agora foram libertos, o que
vocês acham, gostaram?' Não, eles acharam que para
eles foi pior, que na escravidão eles sofriam, ficavam em
ponto de morte, mas sabiam que tinham onde parar [morar], comiam,
e quando foram libertados não tinham para onde ir, nem sabiam,
nem entendiam ninguém, ninguém também levava
interesse, o negro sempre foi o último, foi muito judiado,
então não tinha valor, estava jogado como um cachorro.
(...) Aí eles [os quatro negros] iam transmitindo para Honorato
Carneiro aquele sentimento de que eles não tinham para onde
ir, que eles estavam esperando a morte. (...) Quando o fazendeiro
foi até a fazenda, não conseguiu dormir de dó
deles, saber que os homens tinham de morrer na coxilha do campo,
sem comer, sem beber... Voltou lá, conversou com eles, perguntou
se eles queriam vir para a fazenda e então trouxe eles para
a Fazenda da Lagoinha, que é a vizinha nossa aqui. (...)
Ele adotou os negros e repartiu as terras para cada negro."
(In: Turatti, 2000: 42-43).
Para Joaquim Carneiro de Camargo coube a terra denominada Sítio
da Ponte Alta, onde se estabeleceu em 1897 com a esposa Josepha
Paula Lima, que era cozinheira da Fazenda Pilão d'Água.
O casal Joaquim e Josepha teve seis filhos sendo um homem e cinco
mulheres. Joaquim faleceu quando os filhos ainda eram pequenos. Josepha
cuidou deles, que permaneceram nas terras, dando origem à comunidade.
Até hoje, os membros da comunidade ainda possuem o título
de propriedade da terra, em nome de Joaquim Carneiro de Camargo e
Josepha Paula Lima, seus fundadores.
Veja também:
Histórico da Comunidade
Luta pela Terra
Organização
Social
Atividades Produtivas
Fontes Consultadas
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