IVAPORUNDUVA
Situada no município de Eldorado, Ivaporunduva é a mais antiga das comunidades do Vale do Ribeira e o ponto de partida dos fundadores dos demais bairros negros da região.
Registros documentais dizem que o povoado de Ivaporunduva surgiu no século XVII, a partir da chegada à região de dois irmãos mineradores e seus dez escravos. A partir de 1720 diversos mineradores, acompanhados de seus escravos, chegaram ao povoado.
Uma das primeiras pessoas a povoarem a região foi uma senhora chamada Joanna Maria, que chegou ao local com seus escravos e construiu uma casa onde atualmente é a sede da associação da comunidade.
Há documentação histórica narrando que essa senhora morreu em 1802, deixando suas terras como doação para seus escravos. No entanto, os quilombolas contam que, quando ela saiu para se tratar na cidade e morreu, escravos fugidos, que estavam nos arredores da região, se organizaram e tomaram a comunidade.
Segundo os moradores de Ivaporunduva, a origem da comunidade é anterior à data de 1720.
"Por volta de 1700, quem vivia aqui não eram mais os escravos. Só que eles viviam uma pressão muito forte, do pessoal que estava aqui para baixo e aqui para cima, que vinha aqui para pegar eles e levar de novo para vender. Vendiam em Iporanga, onde a mineração era muito forte, onde tinha muito dono de escravo", conta Benedito Alves da Silva, liderança da comunidade.
O maior símbolo de Ivaporunduva é a Capela de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Ivaporunduva, o mais antigo templo religioso existente no Alto Vale do Ribeira. Embora seu registro seja de 1791, os quilombolas contam que foi construída entre 1630 e 1690. A razão pela qual a construção teria demorado tanto seria o fato de os negros da região terem deixado de ser escravos justamente nesse intervalo de tempo.
Em 1972, a capela foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT), passando a ser reconhecidamente um patrimônio social da Humanidade.
Atualmente, ainda há culto na capela toda semana e missa uma vez por mês. A festa mais tradicional da comunidade é a comemoração do dia de Nossa Senhora do Rosário, celebrada todo dia 12 de outubro. "Tem quermesse, tem forró, tem frango no bingo", conta Benedito Alves da Silva.
A comunidade é formada por 70 famílias, que vivem em uma vila localizada na beira do Rio Ribeira do Iguape, e em casas espalhadas sertão adentro, até cinco quilômetros de distância da vila. A maioria das casas da vila é de alvenaria e coberta com telhas, mas no interior da comunidade as casas ainda são de sapé, pau-a-pique, com chão de barro socado.
Foi a primeira comunidade a se organizar para lutar por sua terra. "No Estado de São Paulo nós fomos a primeira comunidade que teve coragem de, em 1993-94, entrar na Justiça pedindo que o governo reconhecesse nossa comunidade e desse o título para nós", conta Benedito.
Ele se refere à ação judicial que a associação de Ivaporunduva propôs, em 1994, contra União Federal, a Fazenda Pública do Estado de São Paulo, a Fundação Cultural Palmares e a empresa Alagoinha Companhia de Empreendimentos Gerais. Em 2002, essa ação foi julgada procedente, declarando a comunidade como quilombola e condenado a União emitir o título da terra.
Em 2003, o Governo do Estado de São Paulo titulou 672,28 hectares em nome da Comunidade de Ivaporunduva, o que corresponde apenas a 24,4% do total do território. A maior parte das terras da comunidade incide em uma área da Companhia Alagoinha de Empreendimentos Gerais e ainda não foi titulada.
No ano de 2005, o Incra abriu processo para a regularização dessa porção do território. Em julho de 2006, o Incra publicou no Diário Oficial da União o relatório de identificação do território de Ivaporunduva reconhecendo a ocupação pela comunidade de 2.715,6505 hectares.
Já em abril de 2007, o INCRA entrou com uma ação de usucapião na justiça federal. O objetivo dessa iniciativa foi regularizar da parcela do território de Ivaporunduva incidente nas terras da Companhia Alagoinha de Empreendimentos Gerais. Optou-se por esse tipo de ação por trata-se de posse mansa e pacífica. A empresa supostamente proprietária da área jamais ocupou a área nem foi localizada para contestar o processo de titulação.
Em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA), a comunidade de Ivaporunduva desenvolve uma série de projetos visando gerar alternativas de manejo de seus recursos naturais e de geração de renda. São desenvolvidos projetos de plantação de banana orgânica, produção de artesanatos com palha de bananeira, repovoamento do palmiteiro juçara e coleta seletiva de lixo. Em maio de 2003, a comunidade conseguiu o certificado de banana orgânica, concedido pelo Instituto Biodinâmico de Botucatu.
Conheça
mais sobre a parceria de Ivaporunduva com o ISA
Acompanhe o processo de titulação das terras de Ivaporunduva
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