A LUTA CONTRA A UHE TIJUCO
ALTO
A primeira hidroelétrica que o estudo
de inventário hidroelétrico da Bacia do Rio Ribeira
do Iguape prevê para ser construída é a de Tijuco
Alto. Se construída, toda a energia gerada seria destinada
exclusivamente para a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA),
localizada no município de Alumínio, no Estado de
São Paulo, a 250 km do local da barragem.
Além de resultar na destruição do patrimônio
ecológico, espeleológico, social e cultural da região,
a construção dessa barragem causaria também
um desequilíbrio aquático, prejudicando a pesca das
comunidades e poluindo o rio.
Apesar de estar prevista para ser construída no Alto do Rio
Ribeira do Iguape, as comunidades existentes na parte baixa do rio
também seriam prejudicadas porque seria comprometida a região
do rio na qual os peixes costumam procriar. Esse local, conhecido
como Lagamar, concentra uma grande quantidade de matéria
orgânica, que alimenta os peixes e estimula a procriação.
Se a barragem for construída, o carregamento de matéria
orgânica será interrompido, diminuindo as condições
de sobrevivência e de reprodução dos peixes,
e prejudicando a pesca.
A construção de Tijuco Alto também aumentaria
a possibilidade de piorar a contaminação por chumbo
das águas do rio, devido à grande quantidade de lixo
tóxico existente nas redondezas e nas margens do rio - deixado
pelas mineradoras que exploravam a região -, que poderia
vir a ser atingido e espalhado pelo alagamento.
Além disso, a coordenação do MOAB explica que
um outro grande problema da construção de Tijuco Alto
seria o fato de esta não ser uma obra isolada, mas a primeira
de uma série de usinas planejadas para o Rio Ribeira do Iguape.
A construção da primeira obra facilitaria a posterior
construção de outras barragens.
Em 1988, a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) solicitou
ao Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica
- órgão do governo federal - a concessão para
a exploração dos recursos energéticos do Rio
Ribeira do Iguape, para a construção da UHE Tijuco
Alto. A autorização foi concedida em dezembro de 1989,
no último dia do governo Sarney.
Ainda em 1989, a CBA apresentou os estudos de impacto ambiental
da UHE Tijuco Alto para as secretarias de meio ambiente dos Estados
de São Paulo e Paraná e solicitou a licença
ambiental para iniciar a obra. Em 1994, o projeto chegou a obter
a licença ambiental dos governos estaduais.
No entanto, desde 1990, entidades ambientalistas apontavam a necessidade
de participação do IBAMA no licenciamento ambiental
da obra, uma vez que o Rio Ribeira do Iguape é interestadual.
A legislação ambiental determina que um licenciamento
de obra a ser realizada em rio federal e cujo impacto afete mais
de um Estado deve ser efetuado pelo IBAMA (órgão do
governo federal).
Por essa razão, em 1994 o Ministério Público
Federal ingressou na Justiça com uma Ação Civil
Pública pedindo a declaração de nulidade das
licenças ambientais outorgadas pelos órgãos
ambientais dos Estados e pleiteando que essa competência fosse
atribuída ao IBAMA (órgão do governo federal).
Em dezembro de 1999, a ação foi julgada procedente.
As licenças expedidas pelos Estados foram declaradas nulas
e foi reconhecida a competência do IBAMA para licenciar o
empreendimento.
A mobilização social contra a concessão do
licenciamento ambiental para a hidroelétrica continuou e
depois de 14 anos de luta incansável contra a construção
dessa hidroelétrica, no dia 25 de setembro de 2003, uma grande
vitória foi conquistada pelo movimento: a Diretoria de Licenciamento
e Qualidade Ambiental do IBAMA indeferiu o pedido de licenciamento
ambiental do empreendimento da barragem.
Como justificativa foram apresentadas as seguintes razões:
a desatualização do EIA/Rima apresentado pela CBA,
que data de 1994, a superficialidade dos estudos sobre fauna, flora
e contaminação da água e a falta de uma avaliação
integrada de todos os dados.
Veja também:
História
Organização
Econômica
A Luta pela Titulação
dos Territórios
Conflitos com as Unidades
de Conservação
A Luta Contra as
Barragens
As Comunidades
Fontes Consultadas
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