CAFUNDÓ
"LÍNGUA
AFRICANA"
A "língua africana" falada pelos moradores do
Cafundó é um dialeto conhecido como falange ou cupópia.
Possui um vocabulário limitado constituído por 140
palavras aproximadamente. A maior parte delas tem origem na língua
africana chamada quimbundo, da família banto, falada principalmente
em Angola.
Conforme explicam os pesquisadores Peter Fry e Carlos Vogt, o uso
da língua se dá através de um aportuguesamento,
principalmente na estrutura sintática e também do
uso de palavras da língua portuguesa no meio das frases.
Por exemplo: vimbundo está cupopiando no injó do tata
- que quer dizer: "o homem preto está falando na casa
do pai".
Ainda segundo os mesmos pesquisadores, outro recurso de que esta
língua dispõe é o de criar metáforas
e metonímias para expressar algo que não é
contemplado no vocabulário original. Como nos casos de:
- tenhora da mucanda - que quer dizer "enxada da escrita"
e é utilizada para denominar caneta.
- cambererá do vava - que quer dizer "carne da água"
e é utilizada para denominar peixe.
- nangá do viso - que quer dizer "roupa dos olhos"
e é utilizada para denominar óculos.
A cupópia ou falange é falada em situações
diversas: quando se quer dizer algo em segredo - na frente de pessoas
que desconhecem a língua -, em diálogos cotidianos
ou ainda quando é ensinada às crianças da comunidade.
A cupópia é uma importante forma de preservação
da identidade cultural da comunidade.
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