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COMUNIDADE QUILOMBOLA ARAPEMÃ - PA

A ORGANIZAÇÃO DAS MULHERES

Alba comenta como é a sua experiência de ser a única mulher na diretoria da Associação Comunitária de Remanescentes de Quilombo de Arapemã:

"Logo no início eu me sentia um pouco deslocada, no meio de tantos homens, pouca mulher. A gente se sente assim, é um pouco chato. Tinha alguns homens que contavam piada pesada. Aí, com o passar do tempo eu fui me acostumando, porque homem não muda o pensamento dele".

Para incentivar as mulheres a participarem mais e terem mais poder decisão na vida da comunidade, Alba organizou conversas e debates:

"Tentei colocar para algumas mulheres que ser mulher de alguém não quer dizer que a gente esteja sujeita a tudo. Que tem o direito da gente. Então, portanto, que não se humilhasse tanto para o marido. E outra coisa que as mulheres deixassem de ser dependentes de marido. A mulher ela tem que batalhar pelo seu próprio interesse, seu próprio espaço. Ela tem que estudar, aprender uma profissão, para estar trabalhando e desenvolvendo para ganhar o seu dinheiro para poder comprar os produtos que ela precisa".

Alba tentou organizar um grupo de mulheres em Arapemã, mas não deu certo:

"Não estava surtindo muito efeito porque as mulheres não estavam comparecendo muito às reuniões".

Para superar o problema, Alba adotou outra estratégia. Incentivou a organização das mulheres por meio de um time de futebol feminino e da dança da quadrilha. Ela conta animada como essa outra tentativa deu certo:

"Fiz o clube de futebol feminino. A gente está aí, já conseguimos jogar. Quando a gente começou não tínhamos nada. Nós fizemos promoções e conseguimos já comprar o nosso jogo de camisas. Já estamos planejando, estou fazendo a dança, a quadrilha. Se não dá por um lado, a gente está puxando por outro lado, né? Se não motivou muito bem o trabalho no clube de mulheres, então vamos fazer um clube de futebol, de lazer, né? Vamos incentivar a dança, que é uma cultura. É isso que eu procuro estar fazendo. Eu acho que Deus me ilumina e, de repente, surge a idéia, vamos fazer isso, e acaba dando certo. E estamos aí, animados com uma dança. Nós vamos realizar ela no mês de julho, quando a água já baixou mais e temos condições de convidar pessoas para vim".

Os planos de Alba são de continuar com o trabalho com a dança e ampliar outras danças tradicionais:

"E eu estou com vontade, também, da gente resgatar o Lundum na nossa comunidade porque era uma tradição antes. É uma cultura que já vem de muitos tempos, só que foi abandonada porque as pessoas que dançavam foram ficando idosas, e os jovens que foram crescendo também não se interessavam. Eu estou querendo resgatar isso. Essa é uma cultura nossa, então a gente tem que resgatar isso. Tem também a desfeiteira, que é uma dança também, que é como um desafio: você diz um verso, outro diz outro, e vai debatendo".


Leia nesta entrevista:

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A luta pela titulação da terra
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