Segundo Ivanildes, é grande a participação das mulheres de Bom Jardim na vida da comunidade:
"A maioria dos que participam dos trabalhos comunitários é mais as mulheres, os homens é minoria".
Ao ser questionada se direitos dos homens e mulheres são os mesmos, ela respondeu:
"Era para serem os mesmo, né? E também os trabalhos serem iguais. Mas só que a maioria, o negócio de trabalho comunitário, de limpeza, às vezes a mulher capina e varre ao mesmo tempo. E junta o lixo. E eles, quando eles chegam, capinam, mas sempre menos do que as mulheres".
Ivanildes contou como surgiu o grupo de mulheres de Bom Jardim há cerca de seis anos. O marco inicial foi uma mobilização para ajudar um rapaz doente:
"A gente ficou olhando e resolvemos ajudar o rapaz. Perguntamos para ele e ele disse que precisava capinar. O pessoal da comunidade concordou. Fomos, chegamos lá entramos num mato doido capinando a roça do rapaz. Mas só que nesse meio não tinha liderança, só foi uma mobilização né? Aí eu disse 'gente, a gente podia formar uma liderança para ficar trabalhando, a gente escolhia presidente, secretaria, tesoureira, para termos um grupo formado'. Então mobilizamos e formamos grupo. Nosso objetivo era ajudar as famílias. Trabalhando em trabalho comunitário, igreja, todo o que pertencer a comunidade. Nós formamos esse grupo com 17 mulheres."
Elas formaram o Grupo de Marias e Ivanildes foi escolhida a presidente. Segundo ela, o grupo até hoje realiza trabalhos comunitários:
"Aí foi tempo em que se formou a associação, e eu fiquei sendo a presidente das mulheres, do Grupo de Marias. Formamos um grupo de dezessete mulheres que trabalham até hoje. Muitas famílias adoeceram aqui, fizeram cirurgia. A gente mobilizava a comunidade em geral, saíamos pedindo gênero. 'Para quem é?', 'é para fulana'. Então a gente chegava lá, fazia aquela oração, entregava o gênero e vinha embora. Se a pessoa recuperasse, melhor ainda. Se tivesse algum trabalho para fazer, a gente ia, toda segunda-feira. Então tinha que ir, não podia faltar. Era essencial que ninguém não faltasse".
No Grupo de Maria, as discussões a respeito dos direitos da mulher estão sempre presentes:
"A gente discutia assim quando alguém dizia 'eu não vou, porque o meu marido falou para mim fazer tal coisa e é para mim não ir'. Eu dizia, 'olha, seu marido tem você a semana toda e essa pessoa está precisando de sua ajuda só hoje. Se fosse para ele ajudar o amigo dele, você ia deixar, então ele tem que querer da mesma maneira porque os direitos são iguais. Assim como ele pode fazer parte de ajudar as pessoas, você também pode fazer.' Ambos têm que trabalhar, não só o marido, mas também a mulher. Qualquer dia eles vão entender que ambos são iguais, tem direitos iguais, então eles vão ter que entender".
Leia nesta entrevista:
A organização das mulheres
A dança do pássaro Taxan
O preconceito
Saiba mais sobre a comunidade do Bom Jardim
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