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COMUNIDADES CHÁCARA DO BURITI, FURNAS DE DIONÍSIO E FURNAS DA BOA SORTE - MS

PRINCIPAIS DIFICULDADES ENFRENTADAS PELAS COMUNIDADES

Além da questão territorial, um problema em comum apontado por Gleicemara, Luciene e Denir diz respeito à precária assistência a saúde. Nas palavras de Denir:

"O recurso lá é muito pouco. Inclusive a gente não tem um carro. Por exemplo, se uma pessoa fica doente, é muito difícil para sair de lá e as pessoas que têm carro cobram muito caro para poder levar até a cidade. Então a cidade mais próxima é o nosso município, que fica a 37 quilômetros.
Então uma pessoa doente num local que não tem um socorro, um carro para socorrer as pessoas doentes é muito difícil, né? Não tem nenhum posto de saúde lá"
.
Assim como no caso de Boa Sorte, o maior problema de Furnas de Dionísio, na perspectiva de Luciene, é a falta de atendimento à saúde:
"Temos uma pequena sala onde acontece o atendimento médico e médicos quinzenalmente. Só que não dá para atender 450 pessoas. Então a nossa luta maior é para gente conseguir nem que seja uma ambulância, um posto equipado para comunidade".
O caso de Chácara Buriti não é diferente, como conta Gleicemara:
"Lá também para gente ter acesso assim ao médico tem que pegar 27 quilômetros. Então fica difícil para gente sair. A gente tem que pagar e não é barato também. Então a gente não tem assim aquela coisa para dizer 'ó, a gente tem como ir tratar". Especificamente eu machuquei meu joelho e não pude ir por falta de condução".
A comunidade Chácara Buriti não enfrenta problemas relacionados à energia elétrica e possui saneamento básico adequado. Mas este não é o caso de Furnas de Boa Sorte. Como explica Denir:
"Não tem energia elétrica lá. Energia elétrica só tem mesmo na escola. Agora nesse mês [maio de 2004] acho que vai chegar lá agora luz, que é a luz do campo. A minha associação está lutando. É uma luta muito grande, mas eu creio que, se Deus quiser, a gente vai conseguir, e vamos vencer".
Luciene afirma que Furnas de Dionísio já possui energia elétrica e estão caminhando na conquista do saneamento básico: "nós temos um grupo chamado DLIS - Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável e a gente fez uma parceria com uma associação de pequenos produtores rurais e estaremos fazendo projetos. Um dos nossos projetos está na questão do saneamento básico e, assim que a associação assinar, os parceiros irão nos apoiar nesses projetos".

Assim como no caso da saúde, o acesso às escolas é muito difícil para as comunidades de Gleicemara, Luciene e Denir. Em geral, as escolas mais acessíveis são as de ensino fundamental, de primeira a quarta série. Para continuar estudando, quando isso é possível, muito esforço deve ser feito.

Deste modo, explica Gleicemara:
"Olha, na minha comunidade não tem escola. Eu saio a 27 quilômetros para estudar. Eu estudo em Anduí que é a cidade mais próxima porque para a gente estudar em Campo Grande não tem aquele dinheiro, aquele fundo. Porque lá os passes são caros, tem que tirar o passe. Se não é por passe é por passagem, então sai muito caro. Daí a gente tem o ônibus que leva a gente, tudo. Mas o que a gente queria mesmo é uma escola lá dentro, né? Que não é só eu. Eu estudo à noite, mas temos as crianças. Até as crianças saem para estudar fora lá. Assim, não é tão longe quanto a minha né, mas saem. Eu estou fazendo o segundo ano do segundo grau".

Luciene também comenta as dificuldades enfrentadas pelos moradores de Furnas de Dionísio:

"o que nos falta agora é uma biblioteca. Temos duas escolas, uma estadual e uma outra municipal. A estadual atende de quinta ao ensino médio e a escola municipal de primeira à quarta. Os jovens, terminando o ensino médio, não têm como fazer um cursinho, né? Falta bolsa, faltam recursos. E até mesmo para estudar, falta transporte. Então aí dificulta um pouco. Eu estou terminando letras, termino agora em julho, e fiz faculdade de férias. Só por isso que eu consegui, se não, não estaria. E a faculdade é em Campo Grande".

Denir também expõe a situação de sua comunidade:

"Esse é um grande problema da minha comunidade. Porque lá só tem o primário. Então para o ginásio, ensino médio, tem que andar quarenta quilômetros de ônibus.

O ginásio aula só tem de terça a quinta feira e para o ensino médio também.
Então o que acontece: a aula começa oito horas e termina às três horas da tarde. Então já chega na casa de noite, né? Cansado. Aí no outro dia é levantar e sair novamente.

E a gente no ensino médio, a gente para na cidade, no distrito, para poder estudar. Então a gente mora lá, aí o prefeito ajuda a gente. Tem o dormitório dos alunos, né?

Eu estou fazendo o terceiro ano do ensino médio. Eu acho que deveria ter uma escola na nossa comunidade, que é muito difícil.

E muitos dos jovens saem (da escola) porque não têm como saber se o pai vai sustentar. Quer que seu filho vai trabalhar porque já tá rapaz. Então os jovens largam da escola tão cedo, inclusive não tem o ensino médio completo, não tem até oitava série completo. Então já pára na quinta série, quarta série.

Isso é uma dificuldade muito grande lá. Acho que deveria ter escola lá para as crianças terem pelo menos até a oitava série, né?"

Leia os principais trechos da entrevista:

Os territórios
Principais dificuldades enfrentadas pelas comunidades
A mulher e o trabalho
A participação feminina nas associações comunitárias
Cultura e lazer
Projetos, desafios e perspectivas