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CAMBURI
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SP
PRINCIPAIS
REIVINDICAÇÕES
Não são poucas as dificuldades enfrentadas pelos
moradores do Camburi. Como apontam as entrevistadas, um dos problemas
que mais atingem os moradores é o isolamento da comunidade
e a precariedade do transporte público.
Como conta Dionéia: “precisamos de luz, asfalto,
telefone, trabalho. Porque nós lá, mulheres não
trabalhamos, somos dependentes. Para ir para a cidade trabalhar
não compensa porque tem que andar mais de 3 quilômetros
a pé de madrugada para pegar o ônibus e chegar o serviço
a tempo, para voltar a noite, no escuro. Então não
compensa trabalhar fora e com isso as mulheres são todas
dependentes dos maridos. Trabalho só em casa mesmo. Fazemos
um crochê, a gente cuida da casa, ficamos ali rodeando, sem
nada para fazer.”
Irinéia complementa: “A gente faz essas coisas
e acaba ficando no lugar. Não tem como sair de lá,
não tem como vender o artesanato. A gente passa um dia inteiro
para ir na cidade e voltar. É um dia inteirinho que você
perde para ir até a cidade. A gente sobe a pé 3,5
quilômetros até a estrada para poder pegar um ônibus
para ir na cidade fazer compra”.
No caso de algum morador precisar de socorro médico, “se
não tiver algum turista lá com carro para socorrer,
é capaz até de morrer alguém porque não
dá tempo de chegar ao hospital”, acrescenta
Maria.
A falta de transporte afeta também aos jovens que pretendem
continuar os estudos fora da comunidade:
“Tem uma escolinha até a 4ª série. Depois
tem que ir até o Poruba. Tem um microônibus que leva
eles de manhã para a escola. Mas só leva, depois eles
têm que voltar de ônibus. É muito ruim para eles
descerem lá, na volta. Eles faltam muito porque não
tem recurso nenhum. Nós queremos um carro que levasse as
crianças e que buscasse também” argumenta
Elizabete.
Perguntada sobre como é ser mulher no Camburi e quais as
suas expectativas, Dionéia coloca que: “numa
parte é bom e noutra não. Porque a gente mulher precisa
de muita coisa. Mulher quer uma roupa boa, um calçado, uma
casa boa. E a gente acaba não conseguindo. Só consegue
aquilo que a gente tem e olhe lá. Você olha todas as
casas são iguais. A gente sai para fora, vê as coisas
e pensa que podia ter lá. O nosso sonho é que tivesse
uma melhoria lá. Que as mulheres pudessem trabalhar, ter
um ganho fixo, assalariado, todo mês. Porque se os maridos
não conseguem nada com a pesca num mês, a gente também
fica sem nada, durante aquele tempo”.
Leia os principais trechos da entrevista:
Cotidiano na comunidade
A associação
quilombola
Conflito com os Parques
Principais reivindicações
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