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IVAPORUNDUVA- SP

AS CONQUISTAS TRAZIDAS PELA MOBILIZAÇÃO

“Muitas coisas a gente não tinha no quilombo. Hoje a gente tem, como telefone e várias coisas que ajudam a vida da gente. A gente tem um grupo grande que mexe com a banana. Então, a briga antes era por um caminhão. Hoje já temos um caminhão que sai fretado de banana para São Paulo” conta Nilzete.

Este é só um exemplo das conquistas trazidas pela mobilização e empenho dos moradores da comunidade de Ivaporunduva.

Para a vida das mulheres, uma grande conquista foi a divisão dos afazeres domésticos com seus maridos como expõe Neire:
“A nossa luta já vem de um certo tempo e a maioria dos homens aqui na comunidade já é bastante conscientizada. A maior parte é liderança, então viaja muito, então existe uma parceria, um trabalho igualitário. Então por exemplo: jantou, cada um lava o seu pratinho e vai deixar em ordem. Uma igualdade em tudo, não só fora, mas tem que ser igual dentro de casa também.”

Mas a luta por melhorias na vida da comunidade continua nas áreas de transporte, previdência e saúde.

“Um sonho da gente é ter uma vida melhor, por exemplo, um meio de transporte, que é difícil. Tem a balsa lá em cima, mas é meio contramão. A gente pede uma balsa para transportar mercadoria, a banana. A gente está lutando com isso”, comenta Nilzete.

Já Maria da Guia comenta uma das principais reivindicações das mulheres de Ivaporunduva: “Agora a gente está lutando na questão da previdência para adquirir a aposentadoria por idade para as mulheres e auxílio maternidade, que não está sendo fácil. Conseguimos uma parte, mas não chegamos aonde queríamos chegar”.

Outro ponto presente nas reivindicações da comunidade é a questão da saúde. Segundo Maria da Guia: “a gente sabe que está precária no país inteiro, mas para nós lá se torna mais difícil ainda. A gente tem PSF, que funciona uma vez por semana. Vai um médico e uma enfermeira que atende por duas horas em meia e isso é insuficiente. Não é uma coisa voltada para nós, quilombolas. Por exemplo, na questão de um dentista que a gente reivindica muito. Não há tratamento odontológico. A gente luta por um dentista que não extraia o dente, mas que faça um tratamento adequado. A gente luta para que consiga futuramente um médico, com um postinho, um dentista para estar tratando realmente da saúde”.

Apesar dos desafios que persistem, as mulheres de Ivaporunduva estão otimistas. Assim diz Neire: “é difícil conseguir as coisas, mas unidos, juntos, fica mais fácil. Foi pensando nisso que nós nos juntamos para conseguirmos o que queríamos e não ficamos esperando”.

“É um sonho da gente que um dia a gente consiga realizar todos os sonhos do quilombo. É uma coisa muito importante para nós” conclui Nilzete.

Leia os principais trechos da entrevista:

As mulheres em Ivaporunduva
As conquistas trazidas pela mobilização

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