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COMUNIDADES LUÍZES E TABATINGA
- MG
Quilombo Urbano
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Na opinião de dona Luzia, a territorialidade com resistência, a ancestralidade, a cultura e a religiosidade com matrizes africanas proporcionam identidade aos quilombolas, sejam eles urbanos ou rurais.
No entanto, dona Luzia entende que a localidade tem historicamente imprimido algumas diferenças no cotidiano das comunidades. Para ela, o quilombo urbano possui maior dificuldade para realizar manifestações culturais de matriz africana. A cidade torna tudo muito próximo e público. Bater tambor, dançar em roda, cantar, numa comunidade urbana normalmente promovem repreensão e atitudes de desrespeito por parte da vizinhança e das autoridades locais.
Morar próximo ou em favela e ser negro na cidade, normalmente, já somam condições suficientes para colocar o quilombola na condição de “suspeito” por algum crime. Dona Luzia ressalta que os quilombolas nas cidades sofrem com a violência e a criminalidade urbana (o tráfico de drogas e os assassinatos).
Todavia, ela também destaca aspectos positivos vividos pelos quilombolas na cidade. No contexto urbano, ela entende que os quilombolas possuem menor dificuldade para ter acesso à educação formal (escolarização) e possuem maior opção de emprego. Nas áreas rurais, os descendentes de escravos têm mais dificuldade de romper a relação de dominação ou dependência estabelecida com os fazendeiros da região. O difícil acesso e a qualidade ruim do ensino escolar nas áreas rurais no Brasil fazem com que dona Luzia perceba o contexto urbano com algumas vantagens. Ali, a facilidade de comunicação, articulação e de informação proporciona força aos quilombolas para lutar pela inserção social e econômica.
Leia os principais trechos da entrevista:
A participação das mulheres
Auto-estima: uma conquista
Quilombo urbano
Sonhos e projetos
Entrevista concedida em março de 2007.
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