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COMUNIDADE DA ILHA DE MARAMBAIA - RJ

OS PROBLEMAS COM A MARINHA

"Desde aquela época até hoje o nosso trabalho é esse: a pescaria - hoje a ilha é tida como colônia de pescadores - e a agricultura de subsistência" diz Vânia.
Porém, do período de vigor da escola de pesca até a década de 70, muita coisa mudou para a comunidade.

A marinha tomou posse dessas terras e impôs uma série de restrições aos seus moradores, interferindo no modo de plantar, de morar e de viver dos negros da ilha.

A Marinha moveu diversas ações de reintegração de posse, o que resultou na expulsão de famílias inteiras de sua terra de origem.

Vânia diz que, até hoje, essas famílias não podem mais voltar à ilha:"talvez depois do processo, né? Depois que forem julgados esses processos, dependendo do resultado, é que a gente vai brigar para que a nossa gente volte. Se Deus quiser!
É muita gente [que está fora da Ilha]. Uns já estão idosos, outros se encontram muito doentes, não se adaptaram ainda, vieram de um povo a costumado a viver 90, 100 anos. Tivemos pessoas lá que já viveram até 115 anos, então, o clima... Eles não se acostumam fora da ilha e morrem cedo, definham.
Os jovens ainda têm uma resistência, uma capacidade, mas os mais idosos definharam, metade deles já faleceu"
.

Como ambas enfatizam, a tomada de consciência sobre os direitos das comunidades quilombolas bem como a noção de que as ações cometidas pela Marinha eram injustas são recentes.

Elas consideram que a tomada de consciência deve-se em grande medida ao apoio da organização não-governamental Koinonia. Diz Vania: "a Koinonia que levou as novidades para a gente. Apesar de desde 88 existir o artigo lá, o 68, a gente só foi saber em 2000 com a Koinonia".

Avaliando a situação atual, Vânia afirma que "hoje, devido à nossa tomada de conhecimento e de consciência, a Marinha já está mais maleável no sentido de que nós estamos melhor orientados, então já não é assim liberado. O regime da Marinha já começa a recuar um pouco mais. Nós já estamos nos posicionando melhor. Em frente aos olhos da Marinha nós estamos saindo do vulto. Porque até então a Marinha fazia praticamente questão de afirmar que não existíamos".

Leia os principais trechos da entrevista:

Origem da comunidade
Os problemas com a Marinha
Cotidiano e participação feminina
Garantia do Território
Educação
Autonomia e identidade
Visibilidade e cidadania

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