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MATA CAVALO - MT

MULHERES EM MATA CAVALO

A escola de Mata Cavalo, construída pela própria comunidade, leva o nome de Dona Rosa Domingas de Jesus que morreu em 03 de maio de 2004 aos 82 anos:

“Agora nós perdemos uma das referências principais que a gente tinha, que era a senhora. Rosa Domingas de Jesus, que tinha 82 anos. Foi uma das pioneiras na luta. Uma mulher guerreira que enfrentou pistoleiros, capangas. Os filhos dela foram todos presos, como se fossem marginais. Ela foi uma referência principal porque ela nasceu, se criou e nunca saiu da comunidade. Eram seis comunidades mas só restaram seis famílias. A da Dona Rosa, nunca saiu. Foi uma das sementes que permaneceram nas comunidades. São as raízes que deram volta para os que não agüentaram muito a pressão e vieram embora. Hoje deram vida ao quilombo. Muitos voltaram, hoje todo mundo está voltando. Então ela foi um eixo principal”, conta Laura.

Laura também contribui com as lutas da comunidade atuando como secretária da Associação do Quilombo de Mata Cavalo onde faz: “de tudo um pouco. Ajudo na montagem de projetos, articulo os grupos de mulheres e homens para as reuniões. Tento aglutinar todas as pessoas. Participar de cursos, buscar outras fontes de renda e melhorias para a comunidade. Eu, enquanto secretária, tento buscar melhorias para poder estar levando, brigando com as comunidades para que possa chegar uma forma melhor para o povo”.

Dalva, por sua vez, ensina dança afro para os meninos e as meninas da comunidade: “para eles não ir para as ruas. Tento ajudar o quanto posso”.

Laura reforça a importância da luta: “nós somos um povo que pelo fato de ser negro, a gente já é um povo descriminado. Então a gente tenta buscar de todas as formas apoio para que a gente possa estar levando cada vez mais os produtos dentro dos mercados e das feiras. Para que a gente possa conseguir um transporte porque a maior dificuldade é em relação ao transporte. Tem comunidade que para você chegar tem de andar mais de 8 quilômetros. Não há transporte, nem em caso de doença. Você tem que esperar até que alguma condução te possa levar até o hospital”.

E conclui: “ser mulher e principalmente uma mulher quilombola, para nós é uma dádiva de deus. Cada dia que passa, nós tentamos alcançar os nossos objetivos porque a gente sabe que não é fácil essa luta. Mas a gente tenta dar continuidade ao que os nossos ancestrais nos deixaram, que é a luta para a gente ser reconhecido de igual para igual, tanto faz se branco, índio ou mulato, para a gente ser reconhecido de igual para igual. Então, ser quilombola para mim é isso, a gente poder alcançar os nossos objetivos, lutar e buscar o mesmo ideal”.

Leia os principais trechos da entrevista:

Um pouco sobre a comunidade de Mata Cavalo
Luta pela terra
Um exemplo bem sucedido: a escola em Mata Cavalo
Ser mulher em Mata Cavalo