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COMUNIDADE
DE MATÕES
DOS
MOREIRA -
MA
A RELIGIÃO
E AS FESTAS
Ana Emília afirma que sua religião é o candomblé.
Já a região de Matões está dividida:
"o Matão em si tem o candomblé
e tem o evangélico. Há umas pessoas, que não
são muitas, que são evangélicos, outras famílias
estão mais para igreja católica enquanto os negros
são do candomblé, quase todos do candomblé.
A gente tem consciência de que tudo o que a gente conseguiu
até agora, nesse exato momento, por exemplo, a minha estadia
aqui em São Paulo, a gente conseguiu através dos orixás.
Como? Estamos em conflito? Estamos. Então a gente já
ia para baixo de um pé de pau, botava o joelho em terra,
louvar a Deus, pedir a Deus e pedir para os orixás que tudo
acontecesse da melhor maneira possível".
Quase todas as festas da comunidade estão ligadas à
religiosidade: "na comunidade,
a gente tem várias festas populares. A gente tem o doze de
dezembro, que é dia de Santa Luzia e é a padroeira
da comunidade e a gente reza. Em setembro, a gente tem uma reza.
Nossa Senhora da Conceição, em dezembro, a gente reza
e a gente reza São Bento dia 21 de março".
Além disso, a comunidade tem como tradição
o bumba meu boi, o mangaba, o terecô, o tambor de crioula:
"terecô é uma questão de umbanda. Além
disso, a gente tem o tambor de crioula. Minha mãe era uma
das pessoas que fazia o tambor de crioula dentro da nossa comunidade."
Para Emília, o "resgate da religião de matriz
africana" é fundamental:
"Eu não aceito quando
eu chego em determinado lugar e dizem que Codó é coisa
de magia negra. Não, Codó só não teve
foi condições nenhuma de altamente se resgatar na
sua religiosidade, que se chama Terecô de Codó. Está
faltando apoio, está faltando conscientização.
Eu trabalhei em um levantamento de terreiros de Codó e nessa
época deram duzentos e poucos, mas isso tem dois anos atrás.
Com certeza agora, e para a minha surpresa antes de viajar para
cá, eu fiquei sabendo que tinham surgido mais quatro terreiros,
né?
Codó tem vontade mesmo de fazer o seu resgate".
Leia os principais trechos da entrevista:
Origem da comunidade
A luta pela terra
O papel das mulheres na comunidade
Água e energia elétrica
A religião e as festas
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