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ORIXIMINÁ-
PA
ENGAJAMENTO
E PARTICIPAÇÃO POLÍTICA
DAS MULHERES
Uma importante conquista advinda do investimento da ARQMO foi
a construção de uma relação mais igualitária
entre homens e mulheres nas comunidades. Maria do Carmo exemplifica:
“Até mesmo sobre o trabalho de casa, nós
já temos comunidades onde já está funcionado
de o homem ajudar a mulher, de entender aquele lado que não
pode só a mulher fazer tudo. Todo dia que chega do trabalho,
vai ver o que está precisando em casa para depois descansar”.
Socorro completa: “Antes, o homem não lavava
a roupa, não limpava a casa, não cuidava das crianças,
enfim, não ajudava nos trabalhos gerais da casa. Eu acho
que com o nosso trabalho de conscientização esse quadro
mudou muito. Hoje a gente já chega numa comunidade e o homem
está lá lavando louça, lavando roupa, e assim
os filhos já estão se criando nesse costume. Antes
ele não tinha essa cabeça, era só pescar, ou
caçar e ir para o roçado. Então eu acho que
isso é uma volta por cima que nós conquistamos”.
Porém, segundo Maria do Carmo, alguns preconceitos ainda
persistem:
“Eu acho que nos encontros que nós fazemos
das mulheres, os homens deveriam fazer parcerias para tirar aquela
dúvida que eles têm, porque ainda tem muito homem com
aquela dúvida: ‘é encontro de mulheres, então
eu não vou lá, eu não sou mulher!’ Então
nessas nossas reuniões eles vão aprender a ver o nosso
trabalho para eles confiarem. E lá eles também têm
até aquele respeito, que muitos falam, em reunião
de mulheres com avacalhação. Se o homem participar,
ele vai aprender a respeitar. Se numa reunião de homens as
mulheres respeitam, então por que eles não respeitam
a reunião de mulheres?”
Ela argumenta também que ainda deve ser feito um grande trabalho
para que as mulheres percam o medo de participar das ações
da comunidade:
“eu acho que as mulheres tem aquele medo ainda, de
botarem o pé na frente, devido a discriminação.
Porque para nós sairmos, temos de ter muito cuidado. Porque
em toda reunião sempre a mulher é discriminada e se
ela colocar isso na cabeça dela, eu tiro por mim, se eu coloco
isso na minha cabeça, eu não estaria aqui. Os vizinhos
se envolvem muito na vida da gente. Eles falam: ‘onde fulana
está? Olha, o marido dela está em casa com os filhos.’
E se for o homem, para ele sair, ela ainda vai e arruma ele. Ele
sai e quando volta não tem comentário nenhum. É
essa a coragem que as companheiras mulheres têm que ter. Confiar
nela mesmo. Ela vai, sai, faz o trabalho dela, daí ela volta
para casa e é a mesma mulher que saiu”.
Socorro fala do desafio atual: “tem de ser trabalhada
mais a questão das decisões. Antes a gente fazia só
conscientização, mas não decisão. Por
exemplo, para poder ter decisão agora tem de que haver tantos
homens e tantas mulheres”.
E conclui: “mas eu tenho certeza de que daqui a alguns
anos as mulheres estarão participando muito mais diretamente,
até porque é esse o nosso investimento”.
Leia os principais trechos da entrevista:
A organização
das mulheres na ARQMO
Enfrentando temas difíceis
Conquistas: Salário
Maternidade e Aposentadoria
Engajamento e participação
política das mulheres
Conheça
mais o trabalho da ARQMO: www.quilombo.org.br
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