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COMUNIDADES
PATIOBA
E
MUSSUCA -
SE
AS
MULHERES NA LUTA
Em relação à participação feminina
na associação, Patioba e Mussuca apresentam dois casos
diversos.
No Povoado de Patioba, "quem
participa mais da associação são os homens,
geralmente as mulheres se sentem meio reprimidas para esse campo".
No caso de Mussuca, Cleide conta que as mulheres se fazem mais presentes
na Associação de Desenvolvimento Comunitário
da Comunidade de Mussuca: "lá
a presidência da associação é mulher.
Eu faço até parte lá da associação
de Mussuca, eu sou secretária. E através da associação
a gente busca projetos também. A gente já fez lá
dois de casas populares para dar ao pessoal que mora em casa de
taipa. A gente sempre fica buscando alguma coisa, né, através
da associação, embora ela não seja tão
beneficiada".
Mas Cleide coloca também as dificuldades que enfrenta para
levar adiante a sua luta na associação de moradores.
Ela diz que já se sentiu desacreditada por ser mulher e estar
tão envolvida na associação: "a
gente sofre sim, principalmente por causa desse processo da fábrica
de tijolos lá. O pessoal fica metendo bomba, né, dizendo
'que vocês vão conseguir nada. É melhor deixar
isso para lá'. Eles ficam colocando a nossa auto-estima para
baixo, enquanto a SACI vai lá e levanta, né? Eu mesmo
já pensei em desistir umas três vezes".
Guilhermina também relata as suas dificuldades: "a
discriminação a gente sempre sofre mesmo porque na
cabeça do pessoal ainda tem aquilo de que a força
é o homem. Então quando vêem uma mulher de liderança
e eles não estão acostumados, aí pensam: 'uma
mulher? O que é que vão fazer as mulheres?' Porque
tem sempre as mulheres como submissas, né, aquela idéia
antiga disso".
Guilhermina conta que não apenas sofre discriminação
por ser mulher, mas também, ela e sua comunidade são
alvos de racismo. Ela acredita que isso colabora para a baixa auto-estima
desta população bem como para uma auto-negação.
Entretanto, recentemente, a população passou a se
aceitar mais como negros quilombolas: "desde
novembro a SACI está desenvolvendo um trabalho lá.
É muito recente, mas já tem feito umas mudançazinhas
na cabeça das pessoas mesmo porque antes o pessoal dizia:
"ah! Quilombo Patioba? Olha a neguinha do quilombo'. E a gente
achava ruim, mesmo sabendo que éramos negros, que somos negros.
Achávamos ruim de ser chamada de neguinha do quilombo.
Hoje em dia não. É um orgulho para gente ser chamada
de neguinha do quilombo. Somos negras sim e somos de um quilombo".
Leia os principais trechos da entrevista:
Um pouco da história
O território
Atividades produtivas
As mulheres na luta
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