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COMUNIDADES DE SALVATERRA - PA

A VIDA NAS COMUNIDADES

Beth pertence à família Alcântara, uma das primeiras a formar os quilombos de Salvaterra:

"Mangueiras, pelo que a gente pôde estudar, foi onde surgiu o primeiro quilombo. De lá, se espalhou para as outras comunidades. A família Alcântara, da qual eu pertenço, foi uma das primeiras a habitar Mangueiras. Até hoje, a maioria dos mangueirenses são Alcântara. Eu me sinto muito orgulhosa. Apesar de todo o sofrimento que a minha família passou, meus avós, meus antepassados, que foram escravos e foram humilhados por fazendeiros, eu me sinto orgulhosa em fazer parte desta família".
 

Para quem sai da cidade de Salvaterra, a comunidade mais próxima é Caldeirão, a três quilômetros do centro.

"As outras, são cinco, nove ou mais quilômetros. As pessoas vão pela estrada e canoa, pelos igarapés. De bicicleta, pela estrada, eu gasto mais ou menos duas horas, de canoa demora três horas e meia" , explica Beth.
 

Vivem em Mangueiras, hoje, aproximadamente 100 famílias. Sua renda é obtida principalmente com a pesca artesanal, como descreve Beth:

"Em Mangueiras, a produção maior é da pesca artesanal. Homens e mulheres pescam. A agricultura é muito pouca. Cria-se gado também, o que dificulta a roça, porque o gado fica solto, então se deve cercar a roça para que o gado não a destrua".
 

Lina conta que também em Bacabal:

"as pessoas criam gado, porco, galinha, cabra, a maior parte é aposentado. 50% é pescador, 30% aposentado, e alguns são funcionários da prefeitura".

"As pessoas plantam mandioca, jerimum, maxixe, macaxeira, abacaxi. O problema maior que estamos enfrentando é a falta de terra. Não temos terra para plantar" , completa Lina.
 

Outro problema é a devastação da floresta, conta Jane:

"A maioria das pessoas também não tem mato para buscar lenha, remédios ou mesmo fazer uma nova roça, porque o mato foi derrubado para fazer o capinzal. Com o tempo foi acabando aquele mato grosso, foi ficando só o mato pequeno".
 

As comunidades quilombolas do Marajó são conhecidas principalmente pela diversidade de festas tradicionais que enchem de orgulho seus moradores.

"Temos o carimbó, a festa de mastro, o lundun, as festas de Santo Antonio, Nossa Senhora das Dores, Santa Maria", diz Beth.
 

Beth também conta que essas festas passam constantemente por transformações:

"Há muitos anos, as pessoas responsáveis pelas festas faziam as ofertas, ou seja, matavam um porco, um boi. Compravam bastante comida e davam tudo de graça para as pessoas de todas as comunidades da região. Comia-se e bebia-se à vontade. Os instrumentos eram de pau e corda, não tinha som de aparelhagem. O padre vinha à cavalo e ficava dois dias na comunidade. Hoje, essas coisas mudaram, mas as festas continuam muito bonitas e animadas. O Marajó, apesar dos problemas que a gente tem, é muito bonito!"


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