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COMUNIDADE
SAPÉ
- MG
A BUSCA
DE EMPREGO
FORA DA COMUNIDADE
Em relação às atividades dos homens e das
mulheres da comunidade, Tânia afirma que a mulher também
trabalha na roça junto dos homens. Entretanto, os homens
estão saindo cada vez mais da comunidade de Sapé à
procura de emprego: "os maridos saem
e as mulheres ficam em casa. A gente plantava lá com os fazendeiros
e aí eles tomaram a terra. Agora nas terras de lá
só se planta capim. Eles não deixam a população
de Sapé plantar mais".
Nanci explica o porquê dessa mudança: "hoje
os fazendeiros optaram mais de ter caseiro. E não tem mais
aquele trabalho com a terra nas fazendas, que eles trabalhavam lá
era nessas fazendas vizinhas. Então hoje não tem o
trabalho da terra. E a terra lá do quilombo de Sapé
é uma terra que precisa de muito adubo, muito cuidado, e
não se tem os meios econômicos de estar trabalhando
essa terra".
Segundo Nanci, com a saída sucessiva dos homens da comunidade
em busca de trabalho, Sapé corre o risco de se dispersar:
"o que a gente está vendo agora
é que a comunidade de Sapé está morrendo. A
vida da mulher está muito sofrida dentro do Sapé porque
ela vê o marido ir para a sede do município trabalhar
e elas ficam dentro do quilombo. Agora começa aquela divisão:
família cá, o homem lá. Então, de repente,
o homem fica exigindo que elas têm de mudar para lá.
Então, muitas famílias estão mudando por conta
da questão".
Nanci conta ainda que o município de Brumadinho é
distante da comunidade (de 25 a 30 quilômetros) e o preço
da passagem de ônibus é muito elevado o que dificulta
ainda mais o contato entre os homens que saem de Sapé e o
restante da família.
As mulheres da comunidade, em sua maioria, dedicam-se aos serviços
domésticos além de cuidarem da pouca atividade agrícola
que ainda existe por lá.
De acordo com Nanci, as mães solteiras e viúvas também
precisam sair da comunidade para trabalhar. A maioria delas trabalha
na Associação de Catadores de Papel de Brumadinho.
Em relação aos jovens da comunidade, a mesma tendência
se verifica, como relata Matusinha: "os
jovens estudam, mas quando chega na hora, quando eles às
vezes concluem o segundo grau, eles não têm uma opção
de trabalho. Ou fica trabalhando na lavoura, quando acha emprego,
ou fica à toa. Ou então vai para cidade grande."
No caso das adolescentes, muitas, ao concluírem o segundo
grau, têm optado pelo trabalho como empregada doméstica.
Leia os principais trechos da entrevista:
Origem da comunidade
O território
A busca de emprego fora da comunidade
Participação
e discriminação
Escola e energia elétrica:
duas dificuldades
Religião e festas
Para saber mais sobre os quilombos em Minas Gerais, consulte o site
do CEDEFES
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