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COMUNIDADE
SAPÉ
- MG
ORIGEM
DA COMUNIDADE
Ao ser questionada sobre a origem da comunidade, Tânia relata:
"meus avós me contaram que
o primeiro escravo era João Borges. Ele veio fugido da fazenda
do Martins, foi para o quilombo lá do Sapé".
Nanci completa a explicação, contando que "a
fazenda do Martins existe lá até hoje. E tem lá
a parte onde ficavam os fazendeiros e a senzala. Tem até
um mito lá que conta que num dia só morreram trezentos
macacos, mas a gente sabe que foram trezentos escravos. Mortos num
dia só. Escravos da fazenda do Martim, da fazenda da qual
o pessoal do Sapé é descendente. Aquele João
Borges era de lá da fazenda do Martins".
De acordo com Matusinha, há um detalhe sobre o início
da comunidade do Sapé bem importante: "Quando
aconteciam as fugas dos escravos, eles não iam para onde
hoje é a comunidade mesmo, não. Tem a igreja numa
baixada e depois tem um terreno alto, um morro. Os escravos saiam
das fazendas e fugiam para lá. E lá para onde eles
iam há muitos anos é chamado de quilombo. E até
hoje é chamado de quilombo. As pessoas de Sapé plantavam
as roças de milho e feijão lá e falavam: 'a
minha roça é lá no quilombo'. Só que
ninguém relacionou uma coisa com a outra, né? Só
aflorou mesmo esse assunto de quilombo depois."
Leia os principais trechos da entrevista:
Origem da comunidade
O território
A busca de emprego fora da comunidade
Participação
e discriminação
Escola e energia elétrica:
duas dificuldades
Religião e festas
Para saber mais sobre os quilombos em Minas Gerais, consulte o site
do CEDEFES
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