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COMUNIDADE SAPÉ - MG

PARTICIPAÇÃO E DISCRIMINAÇÃO

Sapé possui uma associação de moradores. Assim que se mudou para lá, Matusinha foi convidada a ser presidente desta associação e, desde então, ela participa ativamente das lutas que envolvem a comunidade.

Matusinha afirma que as conquistas da associação ocorreram muito lentamente, pois, apesar de todas as reivindicações, eles "não são ouvidos como deveriam".

Outro fator que dificulta é a reduzida participação: "quem participa mais são os membros da associação mesmo. Fora os membros, são poucos os que vão nas reuniões. E quem participa mais são as mulheres".

De acordo com Matusinha, "quando a associação começou a se organizar, a gente falava Sapé, a gente não pronunciava quilombo não".
Isso ocorre, segundo Tânia, em decorrência do medo e da discriminação sofridas pela comunidade ao longo destes anos: "tem muitos anos que a gente sabe que a gente é descendente dos escravos porque os avós da gente contavam. Mas a gente tinha medo. A gente tinha medo de abrir a boca para falar. Porque a gente era muito discriminada. Discriminavam a gente demais, aí a gente ficava caladinha, a gente ficava no canto da gente"
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Quando questionadas sobre quais as pessoas que as discriminam, Tânia responde: "lá tem uma estrada, né? Todos caminhoneiros, pessoal que passava, gritava: 'ô cambada de criolada do Sapé'. Aí a gente ficava com medo, todo lugar que a gente ia. Porque lá é assim, a gente sai naquele bando, né? Se é uma excursão que sai, aí são os negros mesmo. Aí o povo debocha muito, fala: 'ih, que criolada! Espia que negrada' Aí a gente fica assim mais oprimida, né?"

Leia os principais trechos da entrevista:

Origem da comunidade
O território
A busca de emprego fora da comunidade
Participação e discriminação
Escola e energia elétrica: duas dificuldades
Religião e festas

Para saber mais sobre os quilombos em Minas Gerais, consulte o site do CEDEFES