Você está em:
  Mulheres Quilombolas • Sapé • O Território


COMUNIDADE SAPÉ - MG

O TERRITÓRIO

As terras do quilombo do Sapé ainda não estão tituladas.
Além disso, ao longo do tempo, a comunidade perdeu muito de seu território devido a uma situação peculiar relatada por Tânia: "a nossa terra era uma terra bem extensa. Mas como os nossos antepassados não tinham como, quando morria alguém lá da família, não tinham como fazer o sepultamento. Aí, eles doavam um pedaço de terra para o fazendeir. Aí, os fazendeiro iam e tiravam. Cada pessoa que morria, eles iam lá e tiravam um pedaço porque eram eles que faziam o enterro. Por isso que a cerca hoje em dia passa cá embaixo."

Nanci explica que o sepultamento não é feito dentro da comunidade: "é numa outra comunidade, São José. Deve-se andar mais ou menos uns vinte ou trinta quilômetros para chegar. Então os fazendeiros usavam essa troca: sepultamento e me dá a terra."

Atualmente, como afirma Nanci, essa prática de troca não ocorre mais: "o quilombo do Sapé sabe que a terra é dele. E os próprios fazendeiros também sabem que aquela área é do quilombo. Tanto que no livro de história do município fala do quilombo Sapé. Então, nenhum fazendeiro agora tenta colocar a mão na terra, nem trocar a troco de sepultamento e nem falar que é deles. Então nessa questão, o Sapé não tem esse conflito".

Leia os principais trechos da entrevista:

Origem da comunidade
O território
A busca de emprego fora da comunidade
Participação e discriminação
Escola e energia elétrica: duas dificuldades
Religião e festas

Para saber mais sobre os quilombos em Minas Gerais, consulte o site do CEDEFES