A aldeia Boa Vista é habitada pelo povo indígena Guarani, que, além de ocupar terras em outras regiões do Estado de São Paulo, possui comunidades no Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. O povo Guarani também está presente na Argentina, no Paraguai, no Uruguai e na Bolívia.

A aldeia, onde residem 30 famílias, está localizada na Terra Indígena Boa Vista do Sertão do Promirim, no município de Ubatuba, no Litoral Norte do Estado de São Paulo. Essa terra indígena já se encontra demarcada pelo Decreto Presidencial N.º 94.220/87, que garantiu aos Guarani 920,66 hectares.

A terra indígena está localizada em área de Mata Atlântica, o que é fundamental para os Guarani. Na visão Guarani, um bom Tekoa (expressão Guarani para denominar o local onde é possível realizar o modo de ser Guarani) deve estar próximo da floresta.

Na busca por áreas que tenham tais características, nas últimas décadas os Guarani têm retornado para seus antigos territórios na faixa litorânea. A aldeia Boa Vista é um exemplo desse processo. Ela se formou em meados dos anos 1960, quando três famílias, vindas da aldeia de Rio Silveira, chegaram à região e ali se estabeleceram. Na época, a única ligação da aldeia com Ubatuba era uma pequena trilha, a quatro horas de caminhada. O contato com a população local (basicamente caiçara) era esporádico e pacífico.

Com a construção da Rodovia Rio–Santos (BR-101) na década de 1970, acelerou-se a ocupação da região. Os moradores tradicionais, caiçaras, índios e quilombolas, foram vítimas da especulação imobiliária e da grilagem de terras.

Em 1982 iniciou-se o processo de reconhecimento e demarcação das terras indígenas no Estado de São Paulo, inclusive a da aldeia Boa Vista. Em 1987 foi, finalmente, homologada a demarcação da Terra Indígena da Boa Vista.

Mesmo tendo seu território garantido, os Guarani enfrentam sérios problemas para assegurar sua alimentação e uma vida digna. A caça, que constituía uma fonte importante para a alimentação de sua população, já não é tão abundante na região. Por outro lado, no processo de contato mais intenso com os juruá (não-índios), os Guarani passaram a consumir produtos industrializados (roupas, alimentos, eletrodomésticos), o que gerou a necessidade do dinheiro. Neste contexto, o desenvolvimento de alternativas para geração de renda de forma sustentável é um dos desafios prioritários para os Guarani da Boa Vista.

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