Com intuito de intensificar as práticas de manejo dos recursos naturais dos Guarani da aldeia Boa Vista, a CPI-SP promoveu o mapeamento e zoneamento etnoambiental da terra indígena, o manejo da palmeira juçara (Euterpe edulis) e o aprimoramento das técnicas de coleta e cultivo de matéria-prima.

Mapeamento participativo e zoneamento etnoambiental
Entre os anos 2004 e 2006 foram realizadas quatro oficinas de mapeamento participativo. Nas oficinas foram apresentados à comunidade conceitos e práticas relativos ao uso de mapas, fotografias aéreas, imagens de satélites, GPS e zoneamento etnoambiental. Os Guarani delimitaram, sobre as imagens de satélites e fotos aéreas, as áreas de roças, rios, tipos de vegetação, locais de extração vegetal, caça e pesca, e também a proposta de revisão de limites da Terra Indígena Boa Vista.

Para complementação dos dados levantados nas oficinas, foram realizadas diversas excursões pelo território Guarani para a retirada de pontos com GPS. Esse trabalho proporcionou aos jovens Guarani um maior conhecimento sobre seu território e o aprendizado de uma moderna ferramenta utilizada na área de geoprocessamento, o GPS (Global Position System).

Com os dados coletados foram elaborados os mapas com a proposta de revisão de limites e o zoneamento etnoambiental da Terra Indígena Boa Vista.

Veja os mapas:

Proposta de Revisão de Limites da Terra Indígena Boa Vista
Zoneamento Etnoambiental da Terra Indígena Boa Vista


Manejo da palmeira juçara
Entre os anos 2005 e 2007 foram realizadas três oficinas de manejo da palmeira juçara (Euterpe edulis). Tais oficinas abordaram os seguintes temas: importância ecológica e econômica da palmeira juçara; interação entre a fauna e a palmeira juçara; técnicas de coleta; técnicas de cultivo e formação de mudas.

Ocorreram também nove visitas de monitoria, nas quais foram realizadas práticas de enriquecimento dos quintais, do interior da mata e de uma área de mata ciliar do Rio Promirim, com mudas de palmeira juçara.


Aprimoramento das técnicas de coleta e cultivo de matéria-prima
No ano de 2005, foram promovidas duas oficinas de aprimoramento das técnicas de coleta e cultivo de matéria-prima para confecção do artesanato.

Nas oficinas foram disseminadas práticas conservacionistas de extrativismo, como condução de brotação, poda e manejo de cipós, extração de cascas e taquaras.

Para o aprimoramento das técnicas de cultivo, o técnico trabalhou com a comunidade na formação de mudas e na implantação das mesmas nos roçados.